Barolo à mesa, sempre bom. Com cordeiro, melhor ainda

Paleta desossada de cordeiro, com batatas gratinadas. Terraço Itália

O Piemonte é uma das regiões vinícolas mais importantes da Itália, com muita história e alguns vinhos míticos, como o Barolo. Ele é essencialmente gastronômico, com uma acidez límpida e taninos finos, ótimo para acompanhar boas carnes. Nem sempre com preço acessível, ele passeia pelo imaginário de muita gente e, às vezes, surge uma boa oportunidade para experimentá-lo. É o caso do jantar no próximo dia 16 de maio, às 20h00, no Terraço Itália, onde dois vinhos dessa denominação de origem italiana, junto com outros da mesma região, estarão acompanhando pratos do chef toscano Pasquale Mancini.

Os vinhos são da vinícola piemontesa Gianni Gagliardo, da comuna de La Morra, em parceria com a importadora World Wine. Por R$ 220,00 por pessoa + 12% de taxa de serviço, o jantar inclui drinque de boas-vindas, seguindo com Arancini di Gorgonzola dolci e Barbera D’Alba Madama 2015; Melanzane in crema di Parmigiano com Nebbiolo D’Alba San Ponzi 2013; Risotto allo zaferano, piselli e ragù de ossobuco com Barolo Suoi 2013 e Spalla d’agnello disossata con patate gratinate (foto) com Barolo DOCG 2009, vinho com pontuações acima de 90 pontos de críticos influentes. Sobremesa: Semifreddo di zabaione con amarena. Reservas: (11) 2189-2929

Terraço Itália

Estes vinhos chilenos, admirados pela qualidade e preço justo

BIO - Emiliana - Chile - corredor biológico

Há alguns anos visitei as vinícolas Emiliana e Cono Sur, no Chile, interessado em conhecer seus métodos biodinâmico e orgânico no cultivo, sem o uso de pesticidas e com corredores biológicos entre os vinhedos (foto), uma tendência cada vez mais irreversível e boa para nós, consumidores. Desde então passei a apreciar seus vinhos, que exibem qualidade e bom preço em suas linhas mais acessíveis, entre 35 e 40 reais a garrafa. Esse sem dúvida é um dos componentes que justificam o fato de que ambas estão, segundo acaba de publicar a revista Drinks International, entre as 50 marcas de vinho mais admiradas do mundo.

O “The World’s Most Admired Wine Brands” é um ranking anual feito com a participação de especialistas, com uma série de critérios onde são avaliados a qualidade consistente e crescente dos vinhos, a região ou país de origem, as necessidades e gostos dos consumidores, além da comercialização e distribuição dos vinhos.

Os vinhos da Cono Sur e Emiliana são importados pela La Pastina.

A cozinha portuguesa do jeito que ela se gosta. E como nós gostamos!

Restaurante TrindadeBacalhau Gomes de Sá
Bacalhau Gomes de Sá, Restaurante Trindade (SP), foto do grande Mauro Holanda

Bela iniciativa da poderosa Herdade do Esporão, do Alentejo, que elabora alguns dos melhores vinhos portugueses: uma série no YouTube com 19 episódios em 59 vídeos, de 50 localidades do país. E com um delicioso nome: Esporão & A Comida Portuguesa A Gostar Dela Própria.

Um projeto muito interessante, à procura das raízes da gastronomia portuguesa com 16 chefs renomados contando segredos de suas principais receitas, muitas delas com ingredientes regionais e pouco conhecidos, como a muxama (atum prensado e seco) e as ovas de polvo também com o mesmo processo, típicas do Algarve.

Observação (que em nada desmerece a iniciativa): vi alguns capítulos e às vezes é bastante difícil entender as frases inteiras de alguns participantes, sobretudo por causa do ambiente fechado em que foram gravados, com ecos. As legendas são em inglês e por curiosidade resolvi clicar na versão portuguesa, “gerada automaticamente”, isto é, através de algoritmos. No primeiro vídeo que vi, o entrevistador Tiago Pereira conversa com o chef André Magalhães, da Taberna das Flores, de Lisboa. E a primeira frase de Tiago aparece legendada assim: “Comida tem uma coisa. Ainda tenho uma coisa te diria que a história dos tambores de vitórias em mendonça de um gol em dois tribunais”. Fiquei a ver naus…

Independente disso, vale muito a pena assistir os episódios generosos da Esporão, porque a comida portuguesa, ainda que vertida em algoritmos, é antes de mais nada feita de sentimentos profundos, seculares, verdadeiros.

O link do canal: www.youtube.com/channel/UC-auK24fZQ_N3zBKqCNzGnQ

10 frases de celebridades sobre o champagne, tão boas quanto seu sabor

champagne

“Só bebo champagne em duas ocasiões: quando estou amando e quando não estou”. Coco Chanel

“Chega um momento na vida de toda mulher que a única coisa que pode salvá-la é uma taça de champagne”. Bette Davis

“A única coisa da qual me arrependo nesta vida é a de não ter bebido suficiente champagne”. John Maynard Keynes

“Só as pessoas pouco criativas não conseguem encontrar uma razão para beber champagne”. Oscar Wilde

“O champagne é o único vinho que embeleza a mulher depois de bebê-lo”. Madame Pompadour

“Champagne! Na vitória é merecido, na derrota é necessário”.  Napoleão Bonaparte

“As grandes histórias de amor começam com o champagne”. Honoré de Balzac

“Qualquer coisa em excesso é ruim, mas muito champagne é bom”. Scott Fitzgerald

“O champagne leva ao deslumbramento”. George Sand

“Há três coisas na vida que não suporto: café queimando, champagne morno e mulheres frias”. Orson Welles

Feira de vinhos no Ibira. Pra provar antes de gastar (menos)

taças
Em pleno inverno, uma boa oportunidade para mergulhar no mundo dos vinhos da melhor forma: experimentando antes de comprar. De 6 a 9 de julho no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, em Sampa, será realizada mais uma edição do Wine Weekend, com mais de 60 expositores nacionais e estrangeiros, desde os tradicionais  como França, Portugal, Chile, Argentina, África do Sul e Brasil, até outros de menor presença por aqui, como Grécia e Eslovênia. Homenagem especial à Itália, com vários produtores presentes, palestras e gastronomia do restaurante Aguzzo.

Oito empresas produtoras e importadoras de azeites também estarão presentes, promovendo degustação e anunciando venda a preços menores que os do mercado. Haverá um sebo com obras sobre vinhos, com livros nacionais e importados a partir de R$5,00. Como curiosidade, quadros feitos com rolhas pelo apresentador de TV Gugu Liberato. E shows com a banda B4JAZZ.

Em 2016, mais de 20 mil pessoas visitaram o evento e gastaram em média R$210,00 na compra de garrafas, com preço médio de R$80,00. Vale pesquisar nos estandes, muitos com preços bem competitivos.

Horários: de quinta a sábado das 12:00 às 22:00; domingo das 12 às 20:00

Local : Pavilhão da Bienal- Parque Ibirapuera – Piso entrada Praça das Bandeiras

Ingressos: R$75,00 na bilheteria com direito a entrada, visitação aos espaços culturais e uma taça de degustação Iso personalizada. Menores, apenas acompanhados de seus responsáveis legais.

Desconto de 15% para pessoas acima de 60 anos. Ingresso antecipado com desconto no site www.ingressorapido.com.br

Afanar garfos e objetos caros em restaurantes. Mais comum do que se pensa

Roubos em restaurantes

Li recentes artigos sobre roubos em restaurantes e quase não acreditei. Isto é, eu cri (adorei esse pretérito perfeito, nunca havia usado) ao lembrar as queixas do dono de um antigo (e maravilhoso) restaurante tailandês em São Paulo, o Govinda, na rua Princesa Isabel, que trouxe de Londres os talheres de prata cuidadosamente garimpados em feiras e leilões. Não duraram muito, a cada dia sumiam em bolsas e casacos de gente que, óbvio, podia pagar as altas contas do restaurante.

Em tempos de roubos de bilhões de reais dos nossos impostos, pode ser um consolo (esquisito, claro) saber que os pequenos delitos (que antecedem os maiores?) ocorrem em outros países com maior peso histórico e civilizatório. Em maio passado, a revista francesa Paris Match, citando o SNI, um sindicato de restaurantes independentes, indicou que 9 entre 10 estabelecimentos do país se queixam de roubos de saleiros e pimenteiros (41%), objetos de decoração (35%), pães, manteiga e petiscos do couvert (33%), taças (23%) e cardápios (15%). Pão e manteiga no bolso ou na bolsa pro lanchinho da tarde? Deve ser isso.

Em Nova York, os donos do badalado restaurante japonês Megu descobriram que pratos de cerâmica feitos em Hiroshima e pintados à mão desapareciam dia após dia. Foram nada menos de 60 deles. Valor de cada unidade? 500 dólares.

A palavra cleptomania foi cunhada em 1816 pelo médico suíço André Matthey, vinda do grego klepto (eu roubo, eu escondo) e mania (distúrbio mental). Cleptomaníaco, portanto, é aquele que sente prazer em roubar e cleptocracias indicam governos regidos por ladrões.

O contrato foi assinado num guardanapo. Está valendo há 25 anos

Catena vinhedo Adrianna

Esse é o começo de um negócio, em tese igual a qualquer outro, mas que o tempo revelou ser também um exemplo de correção e honestidade mútua. Estou falando da relação entre a importadora de vinhos Mistral e a vinícola argentina Catena Zapata.

Para celebrar essa espécie de bodas de prata, Ciro Lilla, o dono da Mistral, realizou uma bonita festa no Jockey Club de São Paulo, com a presença de Nicolás Catena e sua esposa Elena. Foi uma oportunidade especial para degustar alguns exemplares dessa vinícola, que chegou ao nível das melhores do mundo nas últimas décadas. Começando com dois de seus Chardonnay, o Angelica Zapata e o Catena Alta, ambos densos de aroma e sabor típicos da variedade, procedentes do excepcional vinhedo Adrianna, a 1.480m de altitude sob a vista gloriosa dos Andes (foto).

O Catena Alta Cabernet Sauvignon 2001, depois de 15 anos na adega da vinícola, estava vigoroso e ao mesmo tempo elegante; em seguida, o Catena Alta Malbec 1995, da reserva pessoal da família Catena, impressionou com seu frutado consistente e gosto que só os grandes vinhos revelam e, depois, o Nicolás Catena Zapata 2001 também atestou o grau de qualidade raro dessa bodega de Mendoza, com longa intensidade. O simpático Catena Sémillon Doux 2012 encerrou a noite, um vinho de sobremesa com equilibrada doçura.Catena

Por falar em simpatia, essa é uma característica de Nicolás Catena, de 76 anos, responsável por dar à Malbec o selo de qualidade garantida com seus vinhos fora do comum. Sua parceria com Ciro Lilla, da Mistral, começou com um acerto verbal à mesa de um restaurante em Mendoza e o contrato foi assinado em um guardanapo. Que vale até hoje, 25 anos depois – um bom exemplo de seriedade para empresários (e políticos) de ambos países.

Antes de beber o vinho, se liga na rolha

Rolha de cortiça

As tampas de metal e as rolhas sintéticas, tipo silicone, estão cada vez mais presentes nos cocorutos das garrafas de vinhos – mas somente daqueles de custo menor. Não dá para negar: a primeira impressão sobre a qualidade do vinho vem no momento em que usamos o saca-rolhas. Uma boa rolha de cortiça indica de imediato que as chances de o vinho agradar são altas.

A grande maioria dos consumidores dos principais mercados consumidores de vinho associa a rolha de cortiça ao bom vinho. Pesquisas feitas nos Estados Unidos, França, Itália, China e Espanha que, na média, 86% dos entrevistados preferem a velha e boa rolha. No Brasil, a agência Conecta, em parceria com o Ibope, mostrou que 80% dos consumidores estariam dispostos a pagar mais por uma garrafa vedada com rolha de cortiça.

Desde o Império Romano, a cortiça é utilizada para cobrir e conservar alimentos, em especial, o vinho. Produto natural, feito a partir da casca do sobreiro, um tipo de carvalho abundante nos países ibéricos, a rolha de cortiça é o principal artefato usado para selar as garrafas de vinho. E, para sua obtenção, não é preciso cortar a árvore: basta apenas extrair a casca e esperar que ela cresça novamente, um processo que dura, em média, nove anos.

Rolha de cortiça 2

Portugal é líder mundial na produção de cortiça, responsável por 65% da cortiça comercializada no mundo, exportando para mais de 100 países, cujo valor corresponde a 2% das transações comerciais internacionais portuguesas. Qualitativamente, também Portugal é líder na produção de rolhas, sendo a preferida das principais vinícolas do mundo.

A Associação Portuguesa de Cortiça (APCOR) foi criada em 1956 para representar e promover a indústria do país, estabelecida em Santa Maria de Lamas, conselho de Santa Maria da Feira, no coração da indústria da cortiça. A APCOR possui mais de 270 associados, que representam 80% da produção nacional e 85% das exportações de cortiça e que cobrem todos os subsetores da indústria – preparação, transformação e comercialização.

Vinho sem venenos, um sonho

 

v

A preocupação em tornar os vinhedos cada vez mais sadios, sem o uso de pesticidas, é uma tendência irreversível no planeta. Uma boa notícia: o organismo francês de pesquisas Observatoire National du Déploiement des Cépages Résistants (OsCaR) está estudando parcelas plantadas com variedades resistentes a duas das pragas mais terríveis que sempre afetaram os vinhedos, o oídio e o míldio, fungos capazes de tirar o sono dos viticultores e, de quebra, desgraçar nossos fígados com os pesticidas usados para combatê-los.

O Observatório, que está em seu primeiro ano de funcionamento, acompanha o desenvolvimento de uvas procedentes da Alemanha, Suíça e Itália plantadas no Languedoc-Roussillon e na Nouvelle-Aquitaine, além de variedades nativas em Bordeaux. E novas parcelas serão plantadas nos próximos anos, em condições variadas de solo e clima, quem sabe permitindo a diminuição progressiva do uso de pesticidas – atualmente, nada menos de 80% desses produtos são utilizados em território francês para combater o míldio, principal doença fúngica da videira e que causa sérios danos quando afeta as flores e os frutos e o oídio, que pode levar à podridão dos tecidos tenros da planta. Mas esse não é um problema apenas francês e sim de quase todos os vinhedos do mundo, o que gera uma saudável expectativa quanto aos estudos do OsCaR.

Vinho do Porto e sua fonte no Rio, uma deliciosa história

Recebi de Portugal um texto muito interessante contando a história de uma fonte que fica no Rio de Janeiro, está chegando aos 110 anos anos e intriga muita gente, não só pela beleza como pelo seu significado. A resposta está logo a seguir, com detalhes assim: “Pelas dificuldades causadas pela distância entre quem a ofereceu, quem a produziu e quem a recebeu, toda a história da sua criação vive de um conjunto de deliciosas peripécias, desde a atribulada viagem de barco da Europa até ao Brasil, passando pelas alterações solicitadas pelo Prefeito Pereira Passos, que em nome dos bons costumes exigiu vestir algumas das imagens femininas”.

E o texto revela mais:

“É um belíssimo monumento aquele que ainda hoje podem admirar todos os que passam junto ao Shopping Rio Sul, entrando no túnel em direção a Copacabana. Trata-se de uma estátua monumental, outrora uma fonte, que foi inaugurada há precisamente 110 anos no jardim da Glória, no coração da cidade do Rio de Janeiro, e foi daí que, 50 anos mais tarde, em 1956, saiu para ir embelezar a então zona nova da cidade, tendo sido colocada no local onde ainda hoje se encontra.
O monumento, com 5 metros de altura, todo feito em mármore italiano escolhido especialmente para o efeito, foi oferecido à cidade por Adriano Ramos Pinto e seu irmão António, famosos comerciantes de Vinho do Porto, que quiseram presentear o povo brasileiro pelo fato de o Brasil ser um mercado tão importante para os seus vinhos.
“Porque offereço um monumento de arte ao Brasil? Por um simples acto de agradecimento. Os meus vinhos têm naquelles mercados uma aceitação extraordinária… Dahi querer eu corresponder a essa gentileza com um signal bem publico e perduravel da minha gratidão, affirmando ao mesmo tempo o meu amor pelo Brasil.” Explicava Adriano, numa entrevista publicada no jornal brasileiro “Echo do Sul” de 4 de Janeiro de 1906.
A obra, executada em Paris, é da autoria do escultor francês Eugene Thivier, contratado pelos 2 irmãos portugueses especificamente para esta empreitada e demorou mais de um ano a ficar pronta.

fonte-vinho-do-porto-rio-1

Na época, os irmãos Ramos Pinto e a sua insólita oferta fizeram correr muita tinta nos jornais de norte a sul do Brasil e o momento da inauguração da Fonte Monumental foi um acontecimento tão importante que teve honras de estado, direito a Bandeira, Hino Nacional e a presença do Presidente da República Brasileira. As reações não podiam ter sido mais positivas e o público acorreu em massa para ver o monumento. Os dois comerciantes e a sua Fonte passaram então a ser olhados como modelo a seguir e em virtude disso, no jornal brasileiro “Gazeta de Notícias” de 25 de Fevereiro de 1906, podia ler-se o seguinte:
“… essa fonte não representa apenas um melhoramento urbano: representa um exemplo e uma lição, que convem registar e louvar. Dous industriaes estrangeiros, que ganham bastante dinheiro no Brasil, quizeram mostrar a sua gratidão ao povo que os favorece. Consideraram que a capital da Republica está num periodo de transformação, e quizeram associar-se a esse trabalho de saneamento e de aformoseamento. Ah! se todos os que aqui realisam bons negocios quizessem fazer o mesmo!…”
Hoje, 110 anos depois, a Casa Ramos Pinto continua a produzir grandes vinhos e o Brasil mantém.-se um mercado estratégico para a empresa, que agora, além de Vinhos do Porto, entre os quais o famoso Adriano, produz também vinhos tranquilos da região do Douro, no norte de Portugal.
Por sua vez, passado todo este tempo, também a Fonte do Vinho do Porto conquistou o seu lugar na história da cidade e no coração dos cariocas. São muitos os passam por ela todos os dias mas são muito poucos os que saberão que aquele monumento é muito mais do que uma obra de arte. É, na verdade, um símbolo. Símbolo de uma época de ouro da cidade do Rio de Janeiro e símbolo do Vinho do Porto além-fronteiras e das relações comerciais entre Portugal e o Brasil”.