As uvas que fazem os vinhos mais populares do planeta

Cabernet Sauvignon
Cabernet Sauvignon

Quais são as uvas viníferas mais plantadas no mundo? Responder que a primeira a frequentar os rótulos é a Cabernet Sauvignon é fácil, mas descobrir que a espanhola Airen Blanca é a terceira provoca muita surpresa. Essa foi a conclusão de dois economistas da Universidade de Adelaide, Austrália, depois de estudar os vinhedos de 44 países cobrindo nada menos de 99% da extensão vitícola do globo.

Kym Anderson et Nanda R. Aryal, os autores da pesquisa, encontraram mundo afora 1.271 variedades de uvas, um número impressionante, embora a OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho) indique que existam cerca de 6.000. Além do estudo direto, os dois levantaram outros dados interessantes, como os países que mais plantam Cabernet Sauvignon no mundo (Chile e China) e quais as uvas cujas superfícies tiveram maior aumento nas últimas duas décadas (Tempranillo e Syrah), indicando a preferência recente de consumo mundo afora.

As 10 campeãos são as seguintes:

1 – Cabernet Sauvignon, com 6% do vinhedo mundial

2 – Merlot, também com 6%

3 – Airen Blanca, plantada sobretudo em Valdepeñas e Mancha, com 5%

4 – Tempranillo, com 5%

5 – Chardonnay, com 4%

6 – Syrah, com 4%

7 – Grenache tinta, com 4%

8 – Sauvignon Blanc, com 2%

9 – Trebbiano branca, com 2%

10 – Pinot Noir, com 2% do total.

Uvas sendo prensadas para o começo da fermentação
Uvas sendo prensadas para o começo da fermentação
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Um vinho paulista. Pesquisa e tecnologia sacodem a tradição

São Paulo sempre produziu vinhos em cidades próximas à capital, quase sempre a partir de uvas híbridas, doces e mais apropriadas ao consumo direto. Por isso a expressão “suave” no rótulo da maioria deles. Por não estar situado nas regiões do planeta tradicionalmente associadas ao cultivo de uvas viníferas, o Estado parecia condenado a ter sua imagem associada aos fermentados populares, baratos. Mas eis que a pesquisa e a tecnologia sacodem a tradição e uma vinícola com instalações modernas e consultoria internacional se instala em Espírito Santo do Pinhal, com resultados surpreendentes.

Chama-se Guaspari, da família de mesmo nome com várias atividades empresariais e que tinha ali uma fazenda de café. A intenção inicial era de apenas plantar uma espécie de labirinto paisagístico com videiras nobres, encomendadas em 2005 à Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais). O sucesso no cultivo foi grande e família pensou então em implantar um verdadeiro vinhedo. Mas havia uma encrenca: o ciclo de cultivo no Brasil, país tropical, faz com que o ponto máximo de maturação das uvas ocorra durante o verão, quando chove muito, atrapalhando não só a colheita como o próprio desenvolvimento das viníferas, que ficam muito vulneráveis a fungos.

E então a Epamig comunicou à família Guaspari suas pesquisas de inversão do ciclo de plantio, com duas podas dos galhos. Sempre há uma poda após a colheita em qualquer vinhedo do mundo, mas o pulo do gato estava no segundo corte, normalmente feito em janeiro, “enganando” a planta. Ela volta a brotar em seguida, floresce nos dois meses seguintes e os cachos se formam no período praticamente sem chuva no Sudeste brasileiro, a partir de abril. São dias ensolarados e com noites frescas, diminuindo a incidência de doenças e permitindo a plena maturação das uvas nos meses de julho e agosto.

As variedades plantadas foram as tintas Cabernet Sauvignon, Pinot Noir e Syrah e as brancas Sauvignon Blanc, Viognier e Chardonnay, em 50 hectares lado a lado com cafezais e também oliveiras. Os primeiros vinhos estão agora no mercado: o Syrah Vista da Serra e o Syrah Vista do Chá, safra 2011, e o branco Sauvignon Blanc 2012. Com consultoria do norte-americano Gustavo Gonzalez, ex-enólogo da tradicional Robert Mondavi Winery e atualmente proprietário de vinícola na Califórnia, os vinhos lançados surpreendem agradavelmente, sobretudo os Syrah, amadurecidos em barricas especiais de carvalho francês Taransaud (cada uma custou R$4.500). Têm boa textura, são aromáticos e de sabor marcante, em nada devendo a bons vinhos com essa uva feitos nos países do chamado Novo Mundo vinícola. O Sauvignon Blanc tem acidez adequada, cristalino e gostoso.

Eles estão na carta de alguns restaurantes de São Paulo (Fasano, Maní, Piselli e Vinheria Percussi são alguns deles) e podem ser adquiridos na importadora Rouge Brasil www.rougebrasil.com tel. (11) 3887-4444. Os tintos custam R$129 e o branco R$89. Outros lançamentos ocorrerão no segundo semestre deste ano. As instalações da fazenda, a cerca de 200 km da capital, são lindas e a partir dos próximos meses a vinícola irá receber grupos de até 20 pessoas para visitas com horário e data previamente definidos. Os interessados poderão obter mais informações pelo e-mail contato@vinicolaguaspari.com.br

Syrah Vista da Serra