Os vinhos com Pinot Noir da Nova Zelândia: frutados e elegantes

Vinhedos Sileni, Hawke’s Bay
Vinhedos Sileni, Hawke’s Bay

Em meio a cenários deslumbrantes, o território neozelandês abriga três uvas principais: Sauvignon Blanc, Chardonnay e Pinot Noir, bem adaptadas ao seu clima frio. Dividido em duas ilhas, o país tem uma viticultura relativamente nova e suas duas principais regiões produtoras são Hawkes Bay (a sudeste da Ilha Norte) e Marlborough (a nordeste da Ilha Sul). Otago, no extremo sul, também é importante. O frio ajudou na escolha da Pinot Noir como principal variedade para os tintos e a Nova Zelândia se orgulha hoje de apresentar uma produção com identidade própria, em que o frutado sempre presente nesse vinho ganha um sutil contorno de madeira para a harmonia dos taninos.

Apresento 10 vinhos de produtores com reputação garantida e que mostraram a boa hora neozelandesa no mercado, embora os preços por aqui não sejam tão amigáveis, comprometidos pelo frete de longa distância e, claro, pelos impostos brasileiros. A classificação vai de uma a 5 estrelas (ruim, regular, bom, ótimo, excelente).

Vinhedos Isabel, Marlborough
Vinhedos Isabel, Marlborough

Felton Road Bannockburn 2010

****

Do produtor de mesmo nome, região de Central Otago, 14% de álcool. Aroma denso de frutas negras e cogumelos antevendo o sabor bem concentrado, com taninos e acidez coerentes, final longo. US$ 113.50 (Mistral)

Greywacke 2011

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Do produtor Kevin Judd, região de Marlborough, 14% de álcool. Uma boa impressão inicial de amora e framboesa em aroma dosado pelo tostado apetitoso. Suculento ao paladar, com taninos e acidez equilibrados. R$ 238 (Casa Flora/Porto-a-Porto)

Saint Clair Pioneer Block 2011

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Da região de Marlborough, 13,5% de álcool. Boa expressão frutada, com amora e especiarias. Um ligeiro tostado aparece ao longo da degustação e, junto com os taninos e acidez precisos, torna esse vinho muito agradável. R$ 146 (Grand Cru)

The Crossings Reserve 2010

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De Awatere Valley, Marlborough, 14,5% de álcool. Confirma a vocação do país para a produção da Pinot Noir, aqui em grande estilo com aroma sedutor de frutas vermelhas e leve madeira, taninos e acidez agudos, gastronômicos. R$ 230 (MaxBrands)

Isabel 2005

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Do produtor de mesmo nome, região de Marlborough, 13,5% de álcool. Esse vinho prova que a tampa metálica de rosca funciona bem. Seu aroma e sabor ficaram preservados, com frutas passas (ameixa, figo), um toque de canela e taninos e acidez sensíveis. US$ 79.90 (Mistral)

Framingham 2008

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Da região de Marlborough, 13,5% de álcool. A sugestão frutada é evidente, com framboesa e cereja em primeiro plano, seguida pelo corpo médio envolto por taninos e acidez bem comportados. R$ 162 (Zahil)

Schubert 2009

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Do produtor de mesmo nome em Wairarapa, região de Martinborough, 15% de álcool. Aroma elegante de frutas vermelhas maduras, sabor acompanhando essa característica em meio a taninos e acidez moderados. R$ 127,90 (World Wine)

Sileni The Plateau 2012

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Do produtor de mesmo nome, região de Hawke’s Bay, 13% de álcool. Tradicional aroma de frutas vermelhas com alguma incidência terrosa. Taninos e acidez em pacata harmonia para uma permanência prazerosa. US$ 49.90 (Mistral)

Brancott Letter Series T 2012

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Da região de Marlborough, 13,5% de álcool. As frutas vermelhas maduras insinuam o sabor amável, com taninos e acidez indulgentes no corpo médio, final com alguma sugestão de baunilha. R$ 112 (Casa Flora/Porto-a-Porto)

The Crossings 2011

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De Awatere Valley, Marlborough, 14% de álcool. Frutas negras e madeira em primeiro plano, evoluindo para leve sugestão de cacau em meio a taninos macios e acidez flexível. R$ 140 (MaxBrands)

Importadoras:

www.casaflora.com.br

www.grandcru.com.br

www.mistral.com.br

www.mxbrands.com.br

www.portoaporto.com.br

www.worldwine.com.br

www.zahil.com.br

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Um vinho paulista. Pesquisa e tecnologia sacodem a tradição

São Paulo sempre produziu vinhos em cidades próximas à capital, quase sempre a partir de uvas híbridas, doces e mais apropriadas ao consumo direto. Por isso a expressão “suave” no rótulo da maioria deles. Por não estar situado nas regiões do planeta tradicionalmente associadas ao cultivo de uvas viníferas, o Estado parecia condenado a ter sua imagem associada aos fermentados populares, baratos. Mas eis que a pesquisa e a tecnologia sacodem a tradição e uma vinícola com instalações modernas e consultoria internacional se instala em Espírito Santo do Pinhal, com resultados surpreendentes.

Chama-se Guaspari, da família de mesmo nome com várias atividades empresariais e que tinha ali uma fazenda de café. A intenção inicial era de apenas plantar uma espécie de labirinto paisagístico com videiras nobres, encomendadas em 2005 à Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais). O sucesso no cultivo foi grande e família pensou então em implantar um verdadeiro vinhedo. Mas havia uma encrenca: o ciclo de cultivo no Brasil, país tropical, faz com que o ponto máximo de maturação das uvas ocorra durante o verão, quando chove muito, atrapalhando não só a colheita como o próprio desenvolvimento das viníferas, que ficam muito vulneráveis a fungos.

E então a Epamig comunicou à família Guaspari suas pesquisas de inversão do ciclo de plantio, com duas podas dos galhos. Sempre há uma poda após a colheita em qualquer vinhedo do mundo, mas o pulo do gato estava no segundo corte, normalmente feito em janeiro, “enganando” a planta. Ela volta a brotar em seguida, floresce nos dois meses seguintes e os cachos se formam no período praticamente sem chuva no Sudeste brasileiro, a partir de abril. São dias ensolarados e com noites frescas, diminuindo a incidência de doenças e permitindo a plena maturação das uvas nos meses de julho e agosto.

As variedades plantadas foram as tintas Cabernet Sauvignon, Pinot Noir e Syrah e as brancas Sauvignon Blanc, Viognier e Chardonnay, em 50 hectares lado a lado com cafezais e também oliveiras. Os primeiros vinhos estão agora no mercado: o Syrah Vista da Serra e o Syrah Vista do Chá, safra 2011, e o branco Sauvignon Blanc 2012. Com consultoria do norte-americano Gustavo Gonzalez, ex-enólogo da tradicional Robert Mondavi Winery e atualmente proprietário de vinícola na Califórnia, os vinhos lançados surpreendem agradavelmente, sobretudo os Syrah, amadurecidos em barricas especiais de carvalho francês Taransaud (cada uma custou R$4.500). Têm boa textura, são aromáticos e de sabor marcante, em nada devendo a bons vinhos com essa uva feitos nos países do chamado Novo Mundo vinícola. O Sauvignon Blanc tem acidez adequada, cristalino e gostoso.

Eles estão na carta de alguns restaurantes de São Paulo (Fasano, Maní, Piselli e Vinheria Percussi são alguns deles) e podem ser adquiridos na importadora Rouge Brasil www.rougebrasil.com tel. (11) 3887-4444. Os tintos custam R$129 e o branco R$89. Outros lançamentos ocorrerão no segundo semestre deste ano. As instalações da fazenda, a cerca de 200 km da capital, são lindas e a partir dos próximos meses a vinícola irá receber grupos de até 20 pessoas para visitas com horário e data previamente definidos. Os interessados poderão obter mais informações pelo e-mail contato@vinicolaguaspari.com.br

Syrah Vista da Serra