Vinho do Porto e sua fonte no Rio, uma deliciosa história

Recebi de Portugal um texto muito interessante contando a história de uma fonte que fica no Rio de Janeiro, está chegando aos 110 anos anos e intriga muita gente, não só pela beleza como pelo seu significado. A resposta está logo a seguir, com detalhes assim: “Pelas dificuldades causadas pela distância entre quem a ofereceu, quem a produziu e quem a recebeu, toda a história da sua criação vive de um conjunto de deliciosas peripécias, desde a atribulada viagem de barco da Europa até ao Brasil, passando pelas alterações solicitadas pelo Prefeito Pereira Passos, que em nome dos bons costumes exigiu vestir algumas das imagens femininas”.

E o texto revela mais:

“É um belíssimo monumento aquele que ainda hoje podem admirar todos os que passam junto ao Shopping Rio Sul, entrando no túnel em direção a Copacabana. Trata-se de uma estátua monumental, outrora uma fonte, que foi inaugurada há precisamente 110 anos no jardim da Glória, no coração da cidade do Rio de Janeiro, e foi daí que, 50 anos mais tarde, em 1956, saiu para ir embelezar a então zona nova da cidade, tendo sido colocada no local onde ainda hoje se encontra.
O monumento, com 5 metros de altura, todo feito em mármore italiano escolhido especialmente para o efeito, foi oferecido à cidade por Adriano Ramos Pinto e seu irmão António, famosos comerciantes de Vinho do Porto, que quiseram presentear o povo brasileiro pelo fato de o Brasil ser um mercado tão importante para os seus vinhos.
“Porque offereço um monumento de arte ao Brasil? Por um simples acto de agradecimento. Os meus vinhos têm naquelles mercados uma aceitação extraordinária… Dahi querer eu corresponder a essa gentileza com um signal bem publico e perduravel da minha gratidão, affirmando ao mesmo tempo o meu amor pelo Brasil.” Explicava Adriano, numa entrevista publicada no jornal brasileiro “Echo do Sul” de 4 de Janeiro de 1906.
A obra, executada em Paris, é da autoria do escultor francês Eugene Thivier, contratado pelos 2 irmãos portugueses especificamente para esta empreitada e demorou mais de um ano a ficar pronta.

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Na época, os irmãos Ramos Pinto e a sua insólita oferta fizeram correr muita tinta nos jornais de norte a sul do Brasil e o momento da inauguração da Fonte Monumental foi um acontecimento tão importante que teve honras de estado, direito a Bandeira, Hino Nacional e a presença do Presidente da República Brasileira. As reações não podiam ter sido mais positivas e o público acorreu em massa para ver o monumento. Os dois comerciantes e a sua Fonte passaram então a ser olhados como modelo a seguir e em virtude disso, no jornal brasileiro “Gazeta de Notícias” de 25 de Fevereiro de 1906, podia ler-se o seguinte:
“… essa fonte não representa apenas um melhoramento urbano: representa um exemplo e uma lição, que convem registar e louvar. Dous industriaes estrangeiros, que ganham bastante dinheiro no Brasil, quizeram mostrar a sua gratidão ao povo que os favorece. Consideraram que a capital da Republica está num periodo de transformação, e quizeram associar-se a esse trabalho de saneamento e de aformoseamento. Ah! se todos os que aqui realisam bons negocios quizessem fazer o mesmo!…”
Hoje, 110 anos depois, a Casa Ramos Pinto continua a produzir grandes vinhos e o Brasil mantém.-se um mercado estratégico para a empresa, que agora, além de Vinhos do Porto, entre os quais o famoso Adriano, produz também vinhos tranquilos da região do Douro, no norte de Portugal.
Por sua vez, passado todo este tempo, também a Fonte do Vinho do Porto conquistou o seu lugar na história da cidade e no coração dos cariocas. São muitos os passam por ela todos os dias mas são muito poucos os que saberão que aquele monumento é muito mais do que uma obra de arte. É, na verdade, um símbolo. Símbolo de uma época de ouro da cidade do Rio de Janeiro e símbolo do Vinho do Porto além-fronteiras e das relações comerciais entre Portugal e o Brasil”.

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Um comentário sobre “Vinho do Porto e sua fonte no Rio, uma deliciosa história

  1. Seria interessante postar a origem verdadeiro do Vinho do Porto. E saber que os primeiros e grandes consumidores foram os ingleses beberroes de destilados!

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