Estes vinhos chilenos, admirados pela qualidade e preço justo

BIO - Emiliana - Chile - corredor biológico

Há alguns anos visitei as vinícolas Emiliana e Cono Sur, no Chile, interessado em conhecer seus métodos biodinâmico e orgânico no cultivo, sem o uso de pesticidas e com corredores biológicos entre os vinhedos (foto), uma tendência cada vez mais irreversível e boa para nós, consumidores. Desde então passei a apreciar seus vinhos, que exibem qualidade e bom preço em suas linhas mais acessíveis, entre 35 e 40 reais a garrafa. Esse sem dúvida é um dos componentes que justificam o fato de que ambas estão, segundo acaba de publicar a revista Drinks International, entre as 50 marcas de vinho mais admiradas do mundo.

O “The World’s Most Admired Wine Brands” é um ranking anual feito com a participação de especialistas, com uma série de critérios onde são avaliados a qualidade consistente e crescente dos vinhos, a região ou país de origem, as necessidades e gostos dos consumidores, além da comercialização e distribuição dos vinhos.

Os vinhos da Cono Sur e Emiliana são importados pela La Pastina.

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A cozinha portuguesa do jeito que ela se gosta. E como nós gostamos!

Restaurante TrindadeBacalhau Gomes de Sá
Bacalhau Gomes de Sá, Restaurante Trindade (SP), foto do grande Mauro Holanda

Bela iniciativa da poderosa Herdade do Esporão, do Alentejo, que elabora alguns dos melhores vinhos portugueses: uma série no YouTube com 19 episódios em 59 vídeos, de 50 localidades do país. E com um delicioso nome: Esporão & A Comida Portuguesa A Gostar Dela Própria.

Um projeto muito interessante, à procura das raízes da gastronomia portuguesa com 16 chefs renomados contando segredos de suas principais receitas, muitas delas com ingredientes regionais e pouco conhecidos, como a muxama (atum prensado e seco) e as ovas de polvo também com o mesmo processo, típicas do Algarve.

Observação (que em nada desmerece a iniciativa): vi alguns capítulos e às vezes é bastante difícil entender as frases inteiras de alguns participantes, sobretudo por causa do ambiente fechado em que foram gravados, com ecos. As legendas são em inglês e por curiosidade resolvi clicar na versão portuguesa, “gerada automaticamente”, isto é, através de algoritmos. No primeiro vídeo que vi, o entrevistador Tiago Pereira conversa com o chef André Magalhães, da Taberna das Flores, de Lisboa. E a primeira frase de Tiago aparece legendada assim: “Comida tem uma coisa. Ainda tenho uma coisa te diria que a história dos tambores de vitórias em mendonça de um gol em dois tribunais”. Fiquei a ver naus…

Independente disso, vale muito a pena assistir os episódios generosos da Esporão, porque a comida portuguesa, ainda que vertida em algoritmos, é antes de mais nada feita de sentimentos profundos, seculares, verdadeiros.

O link do canal: www.youtube.com/channel/UC-auK24fZQ_N3zBKqCNzGnQ

10 frases de celebridades sobre o champagne, tão boas quanto seu sabor

champagne

“Só bebo champagne em duas ocasiões: quando estou amando e quando não estou”. Coco Chanel

“Chega um momento na vida de toda mulher que a única coisa que pode salvá-la é uma taça de champagne”. Bette Davis

“A única coisa da qual me arrependo nesta vida é a de não ter bebido suficiente champagne”. John Maynard Keynes

“Só as pessoas pouco criativas não conseguem encontrar uma razão para beber champagne”. Oscar Wilde

“O champagne é o único vinho que embeleza a mulher depois de bebê-lo”. Madame Pompadour

“Champagne! Na vitória é merecido, na derrota é necessário”.  Napoleão Bonaparte

“As grandes histórias de amor começam com o champagne”. Honoré de Balzac

“Qualquer coisa em excesso é ruim, mas muito champagne é bom”. Scott Fitzgerald

“O champagne leva ao deslumbramento”. George Sand

“Há três coisas na vida que não suporto: café queimando, champagne morno e mulheres frias”. Orson Welles

Um insinuante vinho oxidado e outras novidades Sonoma

vernaccia_di_oristanoFiquei encantado com um vinho em degustação da distribuidora Sonoma. Oxidado! Em princípio, essa característica afasta muitas pessoas da boca da taça e pode ser um defeito que torna o vinho intragável, mas é desejável em alguns outros. Caso do Vernaccia di Oristano (nome da uva, na foto) Riserva 2004 do produtor Silvio Carta, da Sardegna, Itália. Com linda cor âmbar, aromas de frutas secas (avelãs, nozes) e torrefação, chega à boca austero, mas vai revelando um incrível equilíbrio entre acidez e leve doçura. Um ótimo aperitivo e também baila com ostras e sobremesas não muito doces.

Para atingir a benéfica oxidação, este vinho permanece nada menos de 50 meses em barricas (a madeira, porosa, permite a entrada sutil de oxigênio). Tem o estilo do jerez amontillado espanhol e lembra o vin jaune francês. Por causa desse tempo de espera antes de chegar ao mercado, esses vinhos costumam custar caro, mas o preço é amigável: R$149,90

Outros vinhos lançados pela da Sonoma  e que me agradaram foram o Domaine Les Deux Moulins Sauvignon Blanc 2015 (Loire, França, de cultura orgânica, fresco e expressando bem a uva, por R$79,90; o Lagar de Costa Albariño 2016, da região de Rías Baixas, Espanha, com sua pegada mineral perfeita para os frutos do mar no verão, também por R$79,90 e o Château Bolaire Bordeaux Supérieur 2009 (excelente safra, R$169,90) para quem aprecia, como eu, tintos de textura mais densa, com aquele cheirinho de folhas secas caídas no bosque (ao cair da tarde!).

Novos e bons vinhos da Mistral

 

Mistral

A importadora Mistral tem há vários anos um catálogo respeitável, fruto do amplo conhecimento de vinhos do seu proprietário Ciro Lilla. A empresa alia produtos de imensa reputação, sobretudo europeus, a outros onde a qualidade é acompanhada por preços razoáveis. Recentemente, ela apresentou alguns novos lançamentos, dos quais destaco os seguintes:

Bordeaux Chevalier Lassalle 2015 – Corte de Cabernet Sauvignon (60%) e Merlot, com bom frutado, taninos firmes, gostosa presença na boca. R$75,40

Château Pilet 2014 – Com Merlot, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc, é um Bordeaux ao estilo Novo Mundo, com aroma e gosto amáveis. R$89,18

Nuaré Pinot Nero/Merlot 2014 – Bela combinação das duas uvas pelo respeitado produtor Livio Felluga, de Friuli, na Itália. Vinho delicioso. R$206,24

Eleivera 2013 – Vinho feito no Douro, Portugal, pelo conhecido produtor francês Michel Chapoutier. 100% Touriga Nacional, elegante e equilibrado. R$137,38

Carmen Gran Reserva Carignan 2014 – Boa surpresa da Viña Carmen com a Carignan cultivada no Vale de Maule, Chile. Aroma de frutas maduras, corpo envolvente. R$137,38

Allo Alvarinho/Loureiro 2015 – Ótima mescla das duas uvas típicas do Minho, região dos vinhos verdes, pela Quinta do Soalheiro. Um vinho delicado, feminino, de fina acidez. R$102,95

La Camioneta Sauvignon Blanc 2016 – Da famosa Viña Montes, do Chile, um branco fresco e agradável com suas notas cítricas pronunciadas. R$65,08

Mosel Incline Riesling QBA 2015 – Alemão do produtor Selbach com o estilo típico da Riesling daquele país, com pegada mineral expressiva. R$102,95

Zeltinger Riesling S-O QBA Trocken Bomer 2015 – Do mesmo produtor acima e também do Mosel, mas com maior densidade de aroma e gosto. R$235,85

Côtes de Provence Grand Ferrage 2015 – Opção para os apreciadores de rosé, feito no Rhône por Chapoutier com várias uvas. Típico, levemente cítrico. R$147,71

A Mistral cota seus vinhos em dólar. Os preços acima em reais estão em seu site.

Buscando prazer à mesa temperado com ética. Conheça Les Éthicuriens

Foto Cristiane Araújo

Maratona diferente: de maio passado a este mês de setembro um casal percorre a França mapeando quem se dedica à alimentação sustentável: produtores, chefs de restaurantes, criadores, comerciantes, start-ups, cidadãos comuns.

Mélody Schmaus e Mickaël Giunta criaram o movimento Les Éthicuriens, espécie de investigadores para encontrar aqueles que se preocupam com uma comida saudável, baseada na ética do manejo dos alimentos e no epicurismo, a corrente filosófica do grego Epicuro de busca da felicidade. Para isso, juntaram as duas palavras – poderíamos chamá-los, em português, de eticuristas?

Eles gravam entrevistas com os protagonistas desse verdadeiro Tour de France gastronômico, que podem ser vistas em seu site Les Éthicuriens. Para Mélody e Mickaël, seu objetivo principal é aprofundar a compreensão das duas filosofias, sobretudo dedicando ao epicurismo seu verdadeiro sentido de sabedoria, não a da glutonaria pura e simples. Eles citam o autor Pierre Rahbi e sua definição de “sobriedade feliz” como inspiração. Por falar nisso, Les Éthicuriens é uma boa inspiração por aqui, não?

O preço do vinho e o efeito placebo do marketing no nosso cérebro

vinho-marketing

Se o vinho é caro, ele parece melhor do que um similar mais barato? Sim, de acordo com um novo estudo da Universidade de Bonn publicado na revista Scientific Reports, indicando que o preço altera a percepção do gosto e o próprio comportamento do consumidor. Como novidade, a pesquisa monitorou as reações dos participantes com imagens de ressonância magnética funcional (Magnetic Resonance Imaging, MRI).

Já são várias as pesquisas a respeito, não só em relação ao vinho, e parece que cada vez mais somos enganados sistematicamente pelo cérebro (se bem que tem gente que goste). Em 2005, Baba Shiv, professor associado de Marketing da Universidade de Stanford, demonstrou que as ações de marketing, como a determinação de um preço alto para valorizar o produto, influenciam a expectativa do consumidor (“Placebo Effects of Marketing Actions: Consumers May Get What they Pay For”).

Em junho passado, escrevi aqui sobre outra pesquisa parecida, dessa vez feita na universidade australiana de Adelaide, revelando que, após receber maiores informações sobre os mesmos vinhos bebidos antes, às cegas, os participantes se declaravam dispostos a pagar mais por eles.

O recente estudo desenvolvido na universidade alemã, segundo o professor Bernd Weber, diretor do Centro de Economia e Neurociência, partiu do princípio de que não estava claro o funcionamento desse processo mental. Ele e seus pesquisadores reuniram então um grupo de 30 voluntários, 15 mulheres e 15 homens, com idades próximas aos 30 anos, monitorando suas atividades cerebrais com as imagens de ressonância magnética.

Os participantes receberam amostras de um vinho através de um tubo e entre um gole e outro bebiam um líquido neutro para diminuir a contaminação olfativa e gustativa. Antes de cada gole (do mesmo vinho!) diferentes preços eram informados e os participantes davam a ele uma nota de 1 a 9. E aí… a boa reação aos goles indicados como sendo de preço alto ativavam mais o córtex pré-frontal medial e o corpo estriado ventral. O primeiro compara preço e avaliação (do vinho, no caso), enquanto o segundo faz parte do sistema de recompensa e motivação no cérebro.

Diante do resultado, como escapar da armadilha do marketing e seu efeito placebo ao tentar nos impor goela abaixo vinhos de preço abusivo como se fossem melhores que seus similares? Segundo o prof. Weber, é confiando no próprio bom senso, através da experiência e independência de atitude, que iremos conseguir recusar o que o mercado tenta impor. Para finalizar, lembro uma frase do amigo e superior sommelier Manoel Beato: “Um vinho de mil reais é melhor do que um de cem reais, mas jamais é 10 vezes melhor”.