Um insinuante vinho oxidado e outras novidades Sonoma

vernaccia_di_oristanoFiquei encantado com um vinho em degustação da distribuidora Sonoma. Oxidado! Em princípio, essa característica afasta muitas pessoas da boca da taça e pode ser um defeito que torna o vinho intragável, mas é desejável em alguns outros. Caso do Vernaccia di Oristano (nome da uva, na foto) Riserva 2004 do produtor Silvio Carta, da Sardegna, Itália. Com linda cor âmbar, aromas de frutas secas (avelãs, nozes) e torrefação, chega à boca austero, mas vai revelando um incrível equilíbrio entre acidez e leve doçura. Um ótimo aperitivo e também baila com ostras e sobremesas não muito doces.

Para atingir a benéfica oxidação, este vinho permanece nada menos de 50 meses em barricas (a madeira, porosa, permite a entrada sutil de oxigênio). Tem o estilo do jerez amontillado espanhol e lembra o vin jaune francês. Por causa desse tempo de espera antes de chegar ao mercado, esses vinhos costumam custar caro, mas o preço é amigável: R$149,90

Outros vinhos lançados pela da Sonoma  e que me agradaram foram o Domaine Les Deux Moulins Sauvignon Blanc 2015 (Loire, França, de cultura orgânica, fresco e expressando bem a uva, por R$79,90; o Lagar de Costa Albariño 2016, da região de Rías Baixas, Espanha, com sua pegada mineral perfeita para os frutos do mar no verão, também por R$79,90 e o Château Bolaire Bordeaux Supérieur 2009 (excelente safra, R$169,90) para quem aprecia, como eu, tintos de textura mais densa, com aquele cheirinho de folhas secas caídas no bosque (ao cair da tarde!).

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Novos e bons vinhos da Mistral

 

Mistral

A importadora Mistral tem há vários anos um catálogo respeitável, fruto do amplo conhecimento de vinhos do seu proprietário Ciro Lilla. A empresa alia produtos de imensa reputação, sobretudo europeus, a outros onde a qualidade é acompanhada por preços razoáveis. Recentemente, ela apresentou alguns novos lançamentos, dos quais destaco os seguintes:

Bordeaux Chevalier Lassalle 2015 – Corte de Cabernet Sauvignon (60%) e Merlot, com bom frutado, taninos firmes, gostosa presença na boca. R$75,40

Château Pilet 2014 – Com Merlot, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc, é um Bordeaux ao estilo Novo Mundo, com aroma e gosto amáveis. R$89,18

Nuaré Pinot Nero/Merlot 2014 – Bela combinação das duas uvas pelo respeitado produtor Livio Felluga, de Friuli, na Itália. Vinho delicioso. R$206,24

Eleivera 2013 – Vinho feito no Douro, Portugal, pelo conhecido produtor francês Michel Chapoutier. 100% Touriga Nacional, elegante e equilibrado. R$137,38

Carmen Gran Reserva Carignan 2014 – Boa surpresa da Viña Carmen com a Carignan cultivada no Vale de Maule, Chile. Aroma de frutas maduras, corpo envolvente. R$137,38

Allo Alvarinho/Loureiro 2015 – Ótima mescla das duas uvas típicas do Minho, região dos vinhos verdes, pela Quinta do Soalheiro. Um vinho delicado, feminino, de fina acidez. R$102,95

La Camioneta Sauvignon Blanc 2016 – Da famosa Viña Montes, do Chile, um branco fresco e agradável com suas notas cítricas pronunciadas. R$65,08

Mosel Incline Riesling QBA 2015 – Alemão do produtor Selbach com o estilo típico da Riesling daquele país, com pegada mineral expressiva. R$102,95

Zeltinger Riesling S-O QBA Trocken Bomer 2015 – Do mesmo produtor acima e também do Mosel, mas com maior densidade de aroma e gosto. R$235,85

Côtes de Provence Grand Ferrage 2015 – Opção para os apreciadores de rosé, feito no Rhône por Chapoutier com várias uvas. Típico, levemente cítrico. R$147,71

A Mistral cota seus vinhos em dólar. Os preços acima em reais estão em seu site.

Buscando prazer à mesa temperado com ética. Conheça Les Éthicuriens

Foto Cristiane Araújo

Maratona diferente: de maio passado a este mês de setembro um casal percorre a França mapeando quem se dedica à alimentação sustentável: produtores, chefs de restaurantes, criadores, comerciantes, start-ups, cidadãos comuns.

Mélody Schmaus e Mickaël Giunta criaram o movimento Les Éthicuriens, espécie de investigadores para encontrar aqueles que se preocupam com uma comida saudável, baseada na ética do manejo dos alimentos e no epicurismo, a corrente filosófica do grego Epicuro de busca da felicidade. Para isso, juntaram as duas palavras – poderíamos chamá-los, em português, de eticuristas?

Eles gravam entrevistas com os protagonistas desse verdadeiro Tour de France gastronômico, que podem ser vistas em seu site Les Éthicuriens. Para Mélody e Mickaël, seu objetivo principal é aprofundar a compreensão das duas filosofias, sobretudo dedicando ao epicurismo seu verdadeiro sentido de sabedoria, não a da glutonaria pura e simples. Eles citam o autor Pierre Rahbi e sua definição de “sobriedade feliz” como inspiração. Por falar nisso, Les Éthicuriens é uma boa inspiração por aqui, não?

O preço do vinho e o efeito placebo do marketing no nosso cérebro

vinho-marketing

Se o vinho é caro, ele parece melhor do que um similar mais barato? Sim, de acordo com um novo estudo da Universidade de Bonn publicado na revista Scientific Reports, indicando que o preço altera a percepção do gosto e o próprio comportamento do consumidor. Como novidade, a pesquisa monitorou as reações dos participantes com imagens de ressonância magnética funcional (Magnetic Resonance Imaging, MRI).

Já são várias as pesquisas a respeito, não só em relação ao vinho, e parece que cada vez mais somos enganados sistematicamente pelo cérebro (se bem que tem gente que goste). Em 2005, Baba Shiv, professor associado de Marketing da Universidade de Stanford, demonstrou que as ações de marketing, como a determinação de um preço alto para valorizar o produto, influenciam a expectativa do consumidor (“Placebo Effects of Marketing Actions: Consumers May Get What they Pay For”).

Em junho passado, escrevi aqui sobre outra pesquisa parecida, dessa vez feita na universidade australiana de Adelaide, revelando que, após receber maiores informações sobre os mesmos vinhos bebidos antes, às cegas, os participantes se declaravam dispostos a pagar mais por eles.

O recente estudo desenvolvido na universidade alemã, segundo o professor Bernd Weber, diretor do Centro de Economia e Neurociência, partiu do princípio de que não estava claro o funcionamento desse processo mental. Ele e seus pesquisadores reuniram então um grupo de 30 voluntários, 15 mulheres e 15 homens, com idades próximas aos 30 anos, monitorando suas atividades cerebrais com as imagens de ressonância magnética.

Os participantes receberam amostras de um vinho através de um tubo e entre um gole e outro bebiam um líquido neutro para diminuir a contaminação olfativa e gustativa. Antes de cada gole (do mesmo vinho!) diferentes preços eram informados e os participantes davam a ele uma nota de 1 a 9. E aí… a boa reação aos goles indicados como sendo de preço alto ativavam mais o córtex pré-frontal medial e o corpo estriado ventral. O primeiro compara preço e avaliação (do vinho, no caso), enquanto o segundo faz parte do sistema de recompensa e motivação no cérebro.

Diante do resultado, como escapar da armadilha do marketing e seu efeito placebo ao tentar nos impor goela abaixo vinhos de preço abusivo como se fossem melhores que seus similares? Segundo o prof. Weber, é confiando no próprio bom senso, através da experiência e independência de atitude, que iremos conseguir recusar o que o mercado tenta impor. Para finalizar, lembro uma frase do amigo e superior sommelier Manoel Beato: “Um vinho de mil reais é melhor do que um de cem reais, mas jamais é 10 vezes melhor”.

Vai à Festa do Espumante? Tem novidade histórica da Peterlongo

 

Museu do Vinho - Peterlongo 3

A tradicional Festa Nacional do Espumante, no comecinho de outubro, celebra aquele que hoje é a melhor referência do vinho brasileiro. Junto a ela, o bem desenvolvido enoturismo na Serra Gaúcha ganha uma nova atração: um memorial com objetos raros da Peterlongo e da comunidade local. Vale lembrar que a vinícola elaborou o primeiro espumante no país em 1913 e mantém de pé seu patrimônio arquitetônico original, nos moldes de um castelo, com túnel e cave subterrânea em pedras basálticas.

“Escolhemos o mês da Fenachamp, a Festa Nacional do Espumante, para lançar o novo tour enoturístico da Peterlongo. A partir do dia 4 de outubro, nossos visitantes vão mergulhar no mundo do vinho, especialmente do espumante, num passeio revitalizado, que expõe o acervo da Peterlongo e peças doadas ou cedidas por pessoas da comunidade regional”, indica Luiz Carlos Sella, sócio-diretor da Vinícola Peterlongo.

A visita terá início em uma sala de 600 metros quadrados. Nela, dividirão espaço pipas de madeira de 10 mil litros e objetos de vinificação utilizados pela vinícola no início de suas atividades, além de garrafas e rótulos antigos. Painéis exibirão imagens e informações relevantes na construção da história da Peterlongo e do vinho brasileiro. Um Ford 29, de propriedade do ex-presidente da Fenachamp, Pedro Carrer, é uma das peças confirmadas para habitar o museu e que já está nas dependências da vinícola.

Ao final do museu, uma escada conduzirá o visitante ao espaço de tanques de aço inox, seguindo para a sala de guarda onde os vinhos amadurecem em barricas de carvalho. Avançando, o turista acompanha o processo de guarda em uma cave onde o vinho já engarrafado repousa antes de chegar à mesa do consumidor. Ainda tem a passagem pela primeira cave subterrânea do Brasil, que reserva mistérios e a nostalgia de uma época de pioneirismo na elaboração do espumante. Ao fundo, um túnel histórico, que segue a direção do vento Minuano, criando naturalmente um ambiente com umidade, luz e temperatura corretas para a elaboração do produto.

Informações pelo sac@peterlongo.com.br

Lugar novo e bacana em rua escondida de Sampa: Fôrno.

 

FORNO - Ambiente

Mais uma boa novidade no Centro de SP, lá embaixo da Consolação, em uma rua de apenas um quarteirão. Dos sócios da lanchonete Holy Burger, ali pertinho, a casa tem menu pequeno e descontraído de sanduíches com pães próprios e pizzas de fermentação natural. Destaque para o pastrami e o presunto cozido que um dos sócios, Gabriel Prieto, se orgulha em anunciar que são feitos lá mesmo. E também para o bonito bar, de onde saem drinques clássicos como Negroni, Manhattan, Old Fashioned, Fitzgerald e os assinados Smoked Boulevardier, Fôrno G&T e Milano Torino.

Com cardápio desenvolvido por Filipe Fernandes, os recheios dos sanduíches podem ser acomodados na focaccia, ciabatta, brioche ou campagna. As quatro pizzas são de fermentação natural por 48 horas, elaboradas com farinha napolitana 5 Stagioni. A cozinha é aberta e o conjunto do ambiente é charmoso, no primeiro andar de uma antiga casa, com projeto de Herbert Holdefer, o mesmo do Holy Burger e da Casa do Porco.

Boa ação

Assim como o Holy Burger, o Fôrno tem entre seus objetivos viabilizar recursos para dois projetos sociais e gerar emprego para os adolescentes e jovens atendidos pelas ONG´s Extreme Impact e Um Novo Tempo, também sediadas no centro da cidade. Estes projetos levam arte, cultura, esportes e ações de inclusão a comunidades carentes em todo o país, incluindo recente viagem à Amazônia, e também no Peru, Argentina e Paraguai.

 

 

FORNO - sanduiche de pastrami
Sanduíche de pastrami

Cardápio

Entradas

Heritage Tomato Salad (R$ 23) – Salada de cinco tipos de tomate, ricota e ervas.

Carne Cruda (R$ 35) – Wagyu, Grana Padano, azeite, sal, pimenta e limão.

Burrata (R$ 15) – Burrata, tomate confitado, pesto e azeite.

Schiaccata (R$ 20) – “Pizza amassada”, Grana Padano, rúcula, burrata, cebola roxa e azeite.

Tábua de frios (R$ 33 e R$ 50) – Seleção do dia de embutidos e queijos.

FORNO - pizza de prosciutto
Pizza de presunto

Pizzas

Calabreza (R$ 28) – Molho de tomate da casa, calabresa artesanal curada e cebola roxa.

Margherita (R$ 25) – Molho de tomate da casa, Scamorza e manjericão.

Marinara (R$ 23) – Molho de tomate da casa, alho, cebola roxa e Grana Padano 18 meses.

Prosciutto (R$ 35) – Molho de tomate da casa, Scamorza, rúcula e presunto cru.

FORNO - Calabresa
Pizza de calabresa

Sanduíches

Cubano (R$ 23) – Ciabatta, presunto cozido da casa, maionese e picles de cebola roxa.

Pastrami Sandwich (R$ 40) – Pão de campagna, pastrami, picles caseiro e mostarda.

Hot Dog (R$ 15) – Pão de brioche, salsicha Frankfurt, maionese de Tabasco Chipotle e picles de cebola roxa.

Focaccia Basilica (R$ 25) – Focaccia, mussarela, pesto e tomate confitado.

Sobremesas

Mousse de chocolate (R$ 20) – Chocolate belga 80%, raspas de laranja e bourbon.

Pudim na Latinha® (R$ 16) – O mesmo que faz sucesso no Holy Burger

Donuts (R$ 15)

FÔRNO

Rua Cunha Horta, 70, tel. (11) 2645-9499

Horários: terça a quinta 19h/0h; sexta até 1h; sáb. 12h/1h; dom. 12h/23h; fechado às segundas.

Novidade no horizonte: um novo Mundo do Vinho na região do Porto

complexo Mundo do Vinho

A bela e animada cidade do Porto, no Norte de Portugal, compõe com Vila Nova de Gaia, do outro lado do rio Douro, uma forte atração não só para quem gosta de vinho, mas também como ponto histórico e de partida para maravilhosos passeios por vinhedos e vinícolas que serpenteiam pelas encostas até quase a fronteira com a Espanha. E a partir de junho de 2020 haverá outro forte motivo para ir à região: o “World of Wine”, numa área de mais de 30.000 m² ocupada por antigos armazéns de vinho do Porto em Vila Nova de Gaia, bem em frente ao Hotel The Yeatman, que se transformará em um grande complexo cultural dedicado ao vinho em todas as suas versões.

A iniciativa é do grupo português The Fladgate Partnership, dono da Taylor’s e de outras casas de vinho do Porto, oferecendo aos visitantes temas como Wine Experience, Cork Experience, Porto Through the Ages, Fashion & Design Museum e The History of Drinking Vessels. O Mundo do Vinho vai contar com uma escola (de vinho, naturalmente), 12 espaços para restaurantes e bares,outro para eventos e exposições, além de pequenas lojas artesanais. De acordo com o grupo, o investimento será de aproximadamente 100 milhões de euros.

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