Nos rótulos, flores e frutas selvagens. Na taça, bons vinhos e preços idem

Languedoc
Vinhedos da Abbotts & Delauney

O Languedoc, no sul da França, foi considerado por muito tempo um produtor de vinhos apenas razoáveis ou mesmo sofríveis para o padrão francês. Era comum encontrar nas ruas de Paris os famosos clochards – moradores de rua – bebendo vinhos baratos dessa região despejados no mercado por grandes cooperativas. O cenário mudou muito nos últimos anos e pequenas vinícolas começaram a aparecer e a mudar a imagem antiga.

Caso da Abbotts & Delauney, cujos vinhos foram apresentados pela importadora Zahil e encantaram pela qualidade e preços atraentes para um produto francês com grife assegurada. Alguns deles:

Les Fruits Sauvages Sauvignon Blanc Pays d’Oc 2017 – muito fresco e agradável – R$102,00

Les Fleurs Sauvages Viognier Pays d’Oc 2017 – aroma floral gostoso e fino sabor – R$102

Les Fruits Sauvages Chardonnay Pays d’Oc 2017 – delicado, com sutil e elegante madeira – R$102

Les Fleurs Sauvages Mourvedre Pays d’Oc 2016 – aroma de frutas negras, vigor expressivo – R$102

Les Fruits Sauvages Pinot Noir Pays d’Oc 2017 – elegante, tranquilo e apetitoso – R$102,00

E a Zahil, com um portfolio expressivo de vinhos de vários países, tem novo endereço de seu showroom em São Paulo: Rua Bandeira Paulista, 726

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Sauvignon Blanc: falou, é Nova Zelândia

Vinhedos Sileni - Nova Zelândia
Vinhedos da Sileni Estates

Você viu por aí, em prateleiras de supermercados ou lojas, garrafas de Sauvignon Blanc vindas da Nova Zelândia? Sem erro. Conhecida como a nova pátria dessa uva originária de Bordeaux e frequente no Vale do Loire, na França (maravilhosos Sancerre), ela é plantada em 73% da área vinícola do pequeno e lindo país no Pacífico. Mesmo com sua produção geral representando apenas 1% do total mundial, 17% dos vinhos de Sauvignon Blanc zanzando pelo mundo têm o DNA neozelandês. Tornou-se um símbolo do país tão importante quanto o Kiwi, aquele pássaro esquisitinho.

Eles chegam ao Brasil com preços nem sempre amigáveis (distância, frete?), mas no geral compensam pelo aroma típico lembrando maracujá, alguma fruta cítrica – e com boa vontade, aquele cheirinho de grama cortada logo de manhã… O gosto mostra boa textura e ligeira acidez garantida pelo toque mineral peculiar.

O mês de maio começou com as comemorações do Sauvignon Blanc Day, dia 3, e para uma ideia de preços, temos por aí, entre outros, o Giesen 2018 (R$99) e o Greywacke 2017 (R$170) da Rede Oba, o Sileni (R$152) e o Sileni Straigh (R$190) da Mistral, o Wild Rock 2017 (R$214) e o Craggy Ranger (R$211) da Decanter, o Brancott 2017 (R$120) da Casa Flora, o Stoneburn 2016 (R$150) da Premium Wines, o Oyster Bay 2017 (R$252) da Vinci, o 3 Stones 2015 (R$187) e o Crossroads 2015 (R$201) da Vinho & Ponto.

Melhor chef mulher do mundo? A mexicana Daniela

Best Female Chef 2019 Daniela Soto-Innes 6

A mexicana Daniela Soto-Innes, chef e sócia do restaurante Cosme, em Manhattan, é a Melhor Chef Mulher do Mundo 2019 segundo a premiação World’s 50 Best Restaurants. Ela se junta a outras cozinheiras de prestígio, como Clare Smyth (escolhida em 2018), Ana Roš (2017), Dominique Crenn (2016), Hélène Darroze (2015), a brasileira Helena Rizzo (2014), Nadia Santini (2013), Elena Arzak (2012) e Anne-Sophie Pic (2011).

Daniela Soto-Innes mudou-se para os Estados Unidos aos 12 anos e sua intenção era a de iniciar treinamentos no esporte, sobretudo natação. Mas aos poucos, e tendo crescido na cozinha junto a três gerações de mulheres de sua família que eram cozinheiras profissionais, a paixão pela culinária falou mais alto. Estudou no México e depois viajou pelos Estados Unidos e ao redor do mundo, estagiando em restaurantes de diferentes estilos. Depois de trabalhar no Pujol, na Cidade do México, Daniela Soto-Innes criou o restaurante Cosme em Nova York junto com o celebrado chef Enrique Olvera, em 2014. Menos de um ano após a abertura do restaurante de comida mexicana contemporânea, foi promovida ao posto de co-chefe executiva associada e recebeu três estrelas do New York Times, entre outros prêmios.

O anúncio do nome de Daniela para o oficialmente chamado elit™ Vodka World’s Best Female Chef 2019 antecede a premiação geral do World’s 50 Best Restaurants 2019 que ocorrerá em Singapura no dia 25 de junho.

Viajar à origem dos vinhos ficou mais fácil

Mendoza

O enoturismo é uma atividade de viagem crescente no mundo. Mas nem sempre é simples agendar visitas a vinícolas (algumas são bem mal-humoradas para receber turistas) ou montar um roteiro de alguns dias para conhecer uma ou mais regiões. A novidade é o lançamento no Brasil de uma plataforma online, a Wine Paths, que lista excelentes estabelecimentos nas principais regiões vinícolas e também de destilados do mundo.

Os membros da Wine Paths incluem vinícolas e destilarias importantes, restaurantes de alta gastronomia, hotéis de luxo e agências de viagens locais com conhecimento especializado de cada região. A seleção contempla 13 países e mais de 90 destinos ao redor do globo e quem navega pelo site pode contatar especialistas para um itinerário feito sob medida ou reservar diretamente com os cerca de 300 membros selecionados. Eles estão na Argentina, Austrália, Chile, França, Itália, Estados Unidos (Napa Valley & Sonoma), Nova Zelândia, Portugal, África do Sul, Espanha e Uruguai.

Também fazem parte da seleção com curadoria da Wine Paths itinerários de uísque em célebres destilarias da Escócia e Irlanda, ou de Cognac, na região homônima francesa.

Os viajantes têm a liberdade de organizar o roteiro de duas maneiras: com um especialista da região ou por escolha pessoal. Nesse caso, o site (todo em inglês) oferece as ferramentas para entrar em contato com os membros participantes e reservar diretamente as visitas, degustações, estadias e mesas nos restaurantes.

32 estrelas acompanhando a aura de Joël Robuchon, o chef.

Joel Robuchon

Quando escrevia para a revista VIP, da Editora Abril, recebi a “missão” de ir à França e Suíça comer em três restaurantes e entrevistar os seus nomeados “cozinheiros do século 20” pelo Guia GaultMillau: o suíço Freddy Girardet e os franceses Paul Bocuse e Joël Robuchon. O primeiro se aposentou em 1997, depois de uma carreira brilhante em Crissier; o célebre Bocuse morreu em janeiro deste ano e o mais novo deles, Robuchon, morreu hoje (6/8) aos 73 anos. Indiscutivelmente sua culinária foi a que mais me impressionou, não só pelo rigor técnico de seus pratos, com apresentação impecável, mas também pelo talento inacreditável ao fazer de um simples purê de batatas algo etéreo, inesquecível.

Ele me recebeu, em abril de 1994, após o almoço no seu então restaurante na Avenue Raymond Poincaré, no elegante 16º arrondissement de Paris. Conversamos por um bom tempo, respondeu minhas perguntas com ampla simpatia, me mostrou toda a cozinha e autografou o livro onde sua jovem carreira, aos 40 anos de idade, já era descrita como a de um chef fora de série reconhecido em vários países. Sua geleia de caviar com creme de couve-flor e seu ravoli de lagostins deixaram lembranças sublimes. Com uma aura que o distinguia dos outros chefs, Robuchon deixa a Terra acompanhado por nada menos de 32 estrelas conferidas a ele pelo guia Michelin em seus vários restaurantes. Adieu, monsieur Compagnon du Devoir.

Vinhos heróicos. Já ouviu falar deles?

Vinhedos na Quinta Santa Barbara, Douro

Este é um concurso de vinhos diferente: Mundial dos Vinhos Extremos 2018. A premiação será realizada no próximo dia 23 de setembro no Palazzo Madama de Turim, Itália, e o concurso se anuncia como “a única manifestação enológica mundial especificamente dedicada ao vinho produzido em zona caracterizada como viticultura heróica”. Isto é, vinhedos em lugares de difícil acesso, como montanhas, em áreas pequenas e com uvas típicas do lugar, preferivelmente com cultivo orgânico.

Foram julgados no mês de julho em Aosta, norte italiano, 722 vinhos europeus e de outros países como Armênia, Georgia, Cazaquistão, Líbano, Turquia, Cabo Verde, Eslováquia e Chile, país que ganhou uma das raras cinco medalhas Grande Ouro. Além destas, 127 vinhos foram premiados com Ouro e 92 com Prata, representando 30% das garrafas inscritas. Era necessário o mínimo de 85 pontos sobre 100 para um vinho ser premiado e havia várias categorias, mas apenas em três delas brilharam os maiores vencedores.

OS PREMIADOS COM GRANDE OURO

Vinhos brancos de 2016 ou anos precedentes:

Aigle Chablais Lettres De Noblesses Viognier Elevé En Amphores 2016, da Badoux Vins em Aigle, Cantão de Vaud, Suíça.

Vinho tinto de 2015 ou anos precedentes:

RHU de Alcohuaz 2013, da Viñedos de Alcohuaz, Paihuano, Valle de Elqui, Chile.

Goriska Brda Merlot Bagueri 2013, da Klet Brda, Dobrovo, Eslovênia.

Vinho doce com resíduo de açúcar superior a 45,1 gramas por litro:

Passito di Pantelleria DOC Shamira 2012, da Azienda Agricola Basile, ilha de Pantelleria, Sicília, Itália

Costa Toscana IGT “Nantropo” 2017, da Azienda Agricola Fontuccia em Grosseto, Toscana, Itália.

Puglia, Itália 2012

Opinião – Os concursos de vinhos realizados mundo afora são uma excelente fonte de renda para seus organizadores. Alguns cobram 500 dólares para cada garrafa inscrita e, às vezes, são milhares delas em julgamento. Os jurados passam o dia experimentando (e obviamente cuspindo) dezenas de vinhos, como aconteceu comigo em um concurso no sul da Itália há alguns anos, com baterias diárias de 84 doses de vinhos diferentes durante três dias (foto). Confesso que é muito difícil determinar objetivamente quais os melhores (ou piores) depois da 50ª dose… mas acho que esse concurso dos vinhos extremos é interessante ao revelar pequenos produtores e seus sonhos materializados em locais de cultivo improvável.

PS: no título, o corretor me revelou que a nova ortografia manda escrever heroicos sem acento, por ser uma palavra grave ou paroxítona.. Com som de heroícos? Sem heroísmo, que continua com acento, mantenho a outra.

Misturar champagnes é bom? Veja este resultado

 

Veuve Clicquot gfO mundo do champagne vive de sonhos e as maisons seculares da famosa região francesa estão o tempo todo buscando novas formas oníricas de agradar os consumidores. É o que fez a tradicionalíssima Veuve Clicquot ao lançar no mercado brasileiro o champagne Extra Brut Extra Old.

Quase todo mundo identifica o rótulo amarelo do champagne super conhecido no Brasil e a intenção da nova marca, segundo o chef de cave Dominique Demarville, que veio aqui especialmente para o lançamento, foi criar mais uma versão especial de seu produto, desta vez usando apenas um blend com vinhos de reserva premiados. Veuve Clicquot Extra Brut Extra Old é produzido com safras millesimés de 1988, 1996, 2006, 2008, 2009 e 2010.

O resultado foi sentido no Manioca, casa de eventos de Helena Rizzo, do restaurante Maní, recepcionado por Sergio Degese, diretor geral da marca no Brasil. No almoço, um menu à altura da novidade da Veuve Clicquot, com um destaque absoluto: a pescada amarela com tucupi, banana da terra e as já famosas migalhas do Maní ou: farofa crocante com vários tipos de pão. Combinou muito bem com o champagne agora lançado, que mostrou acidez gostosa e vibrante, aromas frescos para um produto “old” e fino equilíbrio de sabor. (Valor médio garrafa 750 ml: R$ 670,00)

Veuve Clicquot 1

Sergio Degese (esquerda) e Dominique Demarville