Buscando prazer à mesa temperado com ética. Conheça Les Éthicuriens

Foto Cristiane Araújo

Maratona diferente: de maio passado a este mês de setembro um casal percorre a França mapeando quem se dedica à alimentação sustentável: produtores, chefs de restaurantes, criadores, comerciantes, start-ups, cidadãos comuns.

Mélody Schmaus e Mickaël Giunta criaram o movimento Les Éthicuriens, espécie de investigadores para encontrar aqueles que se preocupam com uma comida saudável, baseada na ética do manejo dos alimentos e no epicurismo, a corrente filosófica do grego Epicuro de busca da felicidade. Para isso, juntaram as duas palavras – poderíamos chamá-los, em português, de eticuristas?

Eles gravam entrevistas com os protagonistas desse verdadeiro Tour de France gastronômico, que podem ser vistas em seu site Les Éthicuriens. Para Mélody e Mickaël, seu objetivo principal é aprofundar a compreensão das duas filosofias, sobretudo dedicando ao epicurismo seu verdadeiro sentido de sabedoria, não a da glutonaria pura e simples. Eles citam o autor Pierre Rahbi e sua definição de “sobriedade feliz” como inspiração. Por falar nisso, Les Éthicuriens é uma boa inspiração por aqui, não?

O preço do vinho e o efeito placebo do marketing no nosso cérebro

vinho-marketing

Se o vinho é caro, ele parece melhor do que um similar mais barato? Sim, de acordo com um novo estudo da Universidade de Bonn publicado na revista Scientific Reports, indicando que o preço altera a percepção do gosto e o próprio comportamento do consumidor. Como novidade, a pesquisa monitorou as reações dos participantes com imagens de ressonância magnética funcional (Magnetic Resonance Imaging, MRI).

Já são várias as pesquisas a respeito, não só em relação ao vinho, e parece que cada vez mais somos enganados sistematicamente pelo cérebro (se bem que tem gente que goste). Em 2005, Baba Shiv, professor associado de Marketing da Universidade de Stanford, demonstrou que as ações de marketing, como a determinação de um preço alto para valorizar o produto, influenciam a expectativa do consumidor (“Placebo Effects of Marketing Actions: Consumers May Get What they Pay For”).

Em junho passado, escrevi aqui sobre outra pesquisa parecida, dessa vez feita na universidade australiana de Adelaide, revelando que, após receber maiores informações sobre os mesmos vinhos bebidos antes, às cegas, os participantes se declaravam dispostos a pagar mais por eles.

O recente estudo desenvolvido na universidade alemã, segundo o professor Bernd Weber, diretor do Centro de Economia e Neurociência, partiu do princípio de que não estava claro o funcionamento desse processo mental. Ele e seus pesquisadores reuniram então um grupo de 30 voluntários, 15 mulheres e 15 homens, com idades próximas aos 30 anos, monitorando suas atividades cerebrais com as imagens de ressonância magnética.

Os participantes receberam amostras de um vinho através de um tubo e entre um gole e outro bebiam um líquido neutro para diminuir a contaminação olfativa e gustativa. Antes de cada gole (do mesmo vinho!) diferentes preços eram informados e os participantes davam a ele uma nota de 1 a 9. E aí… a boa reação aos goles indicados como sendo de preço alto ativavam mais o córtex pré-frontal medial e o corpo estriado ventral. O primeiro compara preço e avaliação (do vinho, no caso), enquanto o segundo faz parte do sistema de recompensa e motivação no cérebro.

Diante do resultado, como escapar da armadilha do marketing e seu efeito placebo ao tentar nos impor goela abaixo vinhos de preço abusivo como se fossem melhores que seus similares? Segundo o prof. Weber, é confiando no próprio bom senso, através da experiência e independência de atitude, que iremos conseguir recusar o que o mercado tenta impor. Para finalizar, lembro uma frase do amigo e superior sommelier Manoel Beato: “Um vinho de mil reais é melhor do que um de cem reais, mas jamais é 10 vezes melhor”.

Vai à Festa do Espumante? Tem novidade histórica da Peterlongo

 

Museu do Vinho - Peterlongo 3

A tradicional Festa Nacional do Espumante, no comecinho de outubro, celebra aquele que hoje é a melhor referência do vinho brasileiro. Junto a ela, o bem desenvolvido enoturismo na Serra Gaúcha ganha uma nova atração: um memorial com objetos raros da Peterlongo e da comunidade local. Vale lembrar que a vinícola elaborou o primeiro espumante no país em 1913 e mantém de pé seu patrimônio arquitetônico original, nos moldes de um castelo, com túnel e cave subterrânea em pedras basálticas.

“Escolhemos o mês da Fenachamp, a Festa Nacional do Espumante, para lançar o novo tour enoturístico da Peterlongo. A partir do dia 4 de outubro, nossos visitantes vão mergulhar no mundo do vinho, especialmente do espumante, num passeio revitalizado, que expõe o acervo da Peterlongo e peças doadas ou cedidas por pessoas da comunidade regional”, indica Luiz Carlos Sella, sócio-diretor da Vinícola Peterlongo.

A visita terá início em uma sala de 600 metros quadrados. Nela, dividirão espaço pipas de madeira de 10 mil litros e objetos de vinificação utilizados pela vinícola no início de suas atividades, além de garrafas e rótulos antigos. Painéis exibirão imagens e informações relevantes na construção da história da Peterlongo e do vinho brasileiro. Um Ford 29, de propriedade do ex-presidente da Fenachamp, Pedro Carrer, é uma das peças confirmadas para habitar o museu e que já está nas dependências da vinícola.

Ao final do museu, uma escada conduzirá o visitante ao espaço de tanques de aço inox, seguindo para a sala de guarda onde os vinhos amadurecem em barricas de carvalho. Avançando, o turista acompanha o processo de guarda em uma cave onde o vinho já engarrafado repousa antes de chegar à mesa do consumidor. Ainda tem a passagem pela primeira cave subterrânea do Brasil, que reserva mistérios e a nostalgia de uma época de pioneirismo na elaboração do espumante. Ao fundo, um túnel histórico, que segue a direção do vento Minuano, criando naturalmente um ambiente com umidade, luz e temperatura corretas para a elaboração do produto.

Informações pelo sac@peterlongo.com.br

Lugar novo e bacana em rua escondida de Sampa: Fôrno.

 

FORNO - Ambiente

Mais uma boa novidade no Centro de SP, lá embaixo da Consolação, em uma rua de apenas um quarteirão. Dos sócios da lanchonete Holy Burger, ali pertinho, a casa tem menu pequeno e descontraído de sanduíches com pães próprios e pizzas de fermentação natural. Destaque para o pastrami e o presunto cozido que um dos sócios, Gabriel Prieto, se orgulha em anunciar que são feitos lá mesmo. E também para o bonito bar, de onde saem drinques clássicos como Negroni, Manhattan, Old Fashioned, Fitzgerald e os assinados Smoked Boulevardier, Fôrno G&T e Milano Torino.

Com cardápio desenvolvido por Filipe Fernandes, os recheios dos sanduíches podem ser acomodados na focaccia, ciabatta, brioche ou campagna. As quatro pizzas são de fermentação natural por 48 horas, elaboradas com farinha napolitana 5 Stagioni. A cozinha é aberta e o conjunto do ambiente é charmoso, no primeiro andar de uma antiga casa, com projeto de Herbert Holdefer, o mesmo do Holy Burger e da Casa do Porco.

Boa ação

Assim como o Holy Burger, o Fôrno tem entre seus objetivos viabilizar recursos para dois projetos sociais e gerar emprego para os adolescentes e jovens atendidos pelas ONG´s Extreme Impact e Um Novo Tempo, também sediadas no centro da cidade. Estes projetos levam arte, cultura, esportes e ações de inclusão a comunidades carentes em todo o país, incluindo recente viagem à Amazônia, e também no Peru, Argentina e Paraguai.

 

 

FORNO - sanduiche de pastrami
Sanduíche de pastrami

Cardápio

Entradas

Heritage Tomato Salad (R$ 23) – Salada de cinco tipos de tomate, ricota e ervas.

Carne Cruda (R$ 35) – Wagyu, Grana Padano, azeite, sal, pimenta e limão.

Burrata (R$ 15) – Burrata, tomate confitado, pesto e azeite.

Schiaccata (R$ 20) – “Pizza amassada”, Grana Padano, rúcula, burrata, cebola roxa e azeite.

Tábua de frios (R$ 33 e R$ 50) – Seleção do dia de embutidos e queijos.

FORNO - pizza de prosciutto
Pizza de presunto

Pizzas

Calabreza (R$ 28) – Molho de tomate da casa, calabresa artesanal curada e cebola roxa.

Margherita (R$ 25) – Molho de tomate da casa, Scamorza e manjericão.

Marinara (R$ 23) – Molho de tomate da casa, alho, cebola roxa e Grana Padano 18 meses.

Prosciutto (R$ 35) – Molho de tomate da casa, Scamorza, rúcula e presunto cru.

FORNO - Calabresa
Pizza de calabresa

Sanduíches

Cubano (R$ 23) – Ciabatta, presunto cozido da casa, maionese e picles de cebola roxa.

Pastrami Sandwich (R$ 40) – Pão de campagna, pastrami, picles caseiro e mostarda.

Hot Dog (R$ 15) – Pão de brioche, salsicha Frankfurt, maionese de Tabasco Chipotle e picles de cebola roxa.

Focaccia Basilica (R$ 25) – Focaccia, mussarela, pesto e tomate confitado.

Sobremesas

Mousse de chocolate (R$ 20) – Chocolate belga 80%, raspas de laranja e bourbon.

Pudim na Latinha® (R$ 16) – O mesmo que faz sucesso no Holy Burger

Donuts (R$ 15)

FÔRNO

Rua Cunha Horta, 70, tel. (11) 2645-9499

Horários: terça a quinta 19h/0h; sexta até 1h; sáb. 12h/1h; dom. 12h/23h; fechado às segundas.

Novidade no horizonte: um novo Mundo do Vinho na região do Porto

complexo Mundo do Vinho

A bela e animada cidade do Porto, no Norte de Portugal, compõe com Vila Nova de Gaia, do outro lado do rio Douro, uma forte atração não só para quem gosta de vinho, mas também como ponto histórico e de partida para maravilhosos passeios por vinhedos e vinícolas que serpenteiam pelas encostas até quase a fronteira com a Espanha. E a partir de junho de 2020 haverá outro forte motivo para ir à região: o “World of Wine”, numa área de mais de 30.000 m² ocupada por antigos armazéns de vinho do Porto em Vila Nova de Gaia, bem em frente ao Hotel The Yeatman, que se transformará em um grande complexo cultural dedicado ao vinho em todas as suas versões.

A iniciativa é do grupo português The Fladgate Partnership, dono da Taylor’s e de outras casas de vinho do Porto, oferecendo aos visitantes temas como Wine Experience, Cork Experience, Porto Through the Ages, Fashion & Design Museum e The History of Drinking Vessels. O Mundo do Vinho vai contar com uma escola (de vinho, naturalmente), 12 espaços para restaurantes e bares,outro para eventos e exposições, além de pequenas lojas artesanais. De acordo com o grupo, o investimento será de aproximadamente 100 milhões de euros.

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Feira de vinhos no Ibira. Pra provar antes de gastar (menos)

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Em pleno inverno, uma boa oportunidade para mergulhar no mundo dos vinhos da melhor forma: experimentando antes de comprar. De 6 a 9 de julho no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, em Sampa, será realizada mais uma edição do Wine Weekend, com mais de 60 expositores nacionais e estrangeiros, desde os tradicionais  como França, Portugal, Chile, Argentina, África do Sul e Brasil, até outros de menor presença por aqui, como Grécia e Eslovênia. Homenagem especial à Itália, com vários produtores presentes, palestras e gastronomia do restaurante Aguzzo.

Oito empresas produtoras e importadoras de azeites também estarão presentes, promovendo degustação e anunciando venda a preços menores que os do mercado. Haverá um sebo com obras sobre vinhos, com livros nacionais e importados a partir de R$5,00. Como curiosidade, quadros feitos com rolhas pelo apresentador de TV Gugu Liberato. E shows com a banda B4JAZZ.

Em 2016, mais de 20 mil pessoas visitaram o evento e gastaram em média R$210,00 na compra de garrafas, com preço médio de R$80,00. Vale pesquisar nos estandes, muitos com preços bem competitivos.

Horários: de quinta a sábado das 12:00 às 22:00; domingo das 12 às 20:00

Local : Pavilhão da Bienal- Parque Ibirapuera – Piso entrada Praça das Bandeiras

Ingressos: R$75,00 na bilheteria com direito a entrada, visitação aos espaços culturais e uma taça de degustação Iso personalizada. Menores, apenas acompanhados de seus responsáveis legais.

Desconto de 15% para pessoas acima de 60 anos. Ingresso antecipado com desconto no site www.ingressorapido.com.br

O vinho fica mais gostoso se sabemos de onde vem? Olha a resposta

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Um jeans com uma etiqueta de grife famosa parece mais bonito do que um rigorosamente igual sem aquela marca? Com o vinho isso pode acontecer, segundo pesquisadores australianos. Eles fizeram o seguinte: serviram três brancos, em duas sessões de degustação para 126 pessoas – importante notar que todas gostavam e bebiam vinho regularmente. Na primeira degustação, às cegas, foram servidos um riesling, um chardonnay e um sauvignon blanc, pedindo-se que fizessem anotações sobre eles.

Na segunda degustação uma semana após e com os mesmos vinhos (sem que as pessoas soubessem disso), os pesquisadores fizeram uma pequena descrição de cada um e forneceram detalhes sobre a vinícola produtora. Resultado: os participantes gostaram mais dos vinhos dessa segunda degustação e se disseram dispostos a pagar mais 21% pelo sauvignon blanc, 29% a mais pelo riesling e 37% pelo chardonnay. E, no entanto, eram os mesmos vinhos da primeira degustação.

Conclusão, segundo os pesquisadores: a descrição e informações básicas sobre o vinho bebido “aumentaram consideravelmente a apreciação, a vontade de pagar mais por ele e suscitaram mais emoções positivas intensas e menos emoções negativas intensas em comparação com a degustação às cegas”. E você, concorda?

Fonte

“I like the sound of that!” Wine descriptions influence consumers’ expectations, liking, emotions and willingness to pay for Australian white wines. Lukas Dannera, Trent E. Johnsona, Renata Ristica, Herbert L. Meiselmanc, Susan E.P. Bastian. School of Agriculture, Food and Wine, Waite Research Institute, The University of Adelaide.

Tendência: vinhos naturais e mais baratos. É o desejo dos millennials

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O vinho, atualmente mais consumido pela geração nascida desde os anos de 1940, vem sendo descoberto pela geração millennials (pessoas nascidas a partir da década de 1980 e início dos anos 2000) de uma maneira diferente. Uma parte significativa desse grupo quer vinhos menos industrializados, produzidos de maneira mais autêntica, sem o uso de pesticidas nas plantações e produtos químicos na elaboração. Esse é um dos resultados dos debates ocorridos no Must Fermenting Ideas, seminário dedicado ao mundo dos vinhos realizado agora em junho no Centro de Congressos do Estoril, em Portugal.

A inglesa Lulie Halstead, CEO da Wine Intelligence, voltada para a estratégia dos negócios do vinho, disse que essa geração pode não ter o mesmo dinheiro ou prosperidade financeira dos que vieram antes dela, e isso, somado a uma maior consciência acerca dos problemas ambientais do planeta, leva a uma escolha crescente de vinhos naturais, orgânicos e biodinâmicos. A questão do preço depende da escala de produção, o que ainda é um problema em muitos países, mas Halstead tem certeza de que as novas gerações não querem comprar rótulos caros e marquetizados.

Uma das palestras mais interessantes foi a da jornalista americana Alice Feiring, justamente sobre os vinhos naturais. O que seriam? Para ela, autora de livros a respeito, são aqueles procedentes de agricultura orgânica e feitos do mesmo jeito usado pelos vinhateiros antigos, sem acrescentar ou retirar nada em sua elaboração.

Ainda um nicho no mercado, esses vinhos, também chamados de “autênticos”, apresentam um charme capaz de atrair cada vez mais os millennials. O que coloca um desafio à grande indústria, que nem sempre tem condições de abraçar a agricultura orgânica, mas pode limitar as correções químicas em seus laboratórios.

Afanar garfos e objetos caros em restaurantes. Mais comum do que se pensa

Roubos em restaurantes

Li recentes artigos sobre roubos em restaurantes e quase não acreditei. Isto é, eu cri (adorei esse pretérito perfeito, nunca havia usado) ao lembrar as queixas do dono de um antigo (e maravilhoso) restaurante tailandês em São Paulo, o Govinda, na rua Princesa Isabel, que trouxe de Londres os talheres de prata cuidadosamente garimpados em feiras e leilões. Não duraram muito, a cada dia sumiam em bolsas e casacos de gente que, óbvio, podia pagar as altas contas do restaurante.

Em tempos de roubos de bilhões de reais dos nossos impostos, pode ser um consolo (esquisito, claro) saber que os pequenos delitos (que antecedem os maiores?) ocorrem em outros países com maior peso histórico e civilizatório. Em maio passado, a revista francesa Paris Match, citando o SNI, um sindicato de restaurantes independentes, indicou que 9 entre 10 estabelecimentos do país se queixam de roubos de saleiros e pimenteiros (41%), objetos de decoração (35%), pães, manteiga e petiscos do couvert (33%), taças (23%) e cardápios (15%). Pão e manteiga no bolso ou na bolsa pro lanchinho da tarde? Deve ser isso.

Em Nova York, os donos do badalado restaurante japonês Megu descobriram que pratos de cerâmica feitos em Hiroshima e pintados à mão desapareciam dia após dia. Foram nada menos de 60 deles. Valor de cada unidade? 500 dólares.

A palavra cleptomania foi cunhada em 1816 pelo médico suíço André Matthey, vinda do grego klepto (eu roubo, eu escondo) e mania (distúrbio mental). Cleptomaníaco, portanto, é aquele que sente prazer em roubar e cleptocracias indicam governos regidos por ladrões.

Santo vinho! Onde se bebe mais no mundo, Portugal ou Vaticano?

Vinhos Portugal

São 25 bilhões de litros de vinho produzidos por ano no mundo, algo como 150 bilhões de taças entornadas por nós, viventes, segundo dados da Organisation International de la Vigne et du Vin (OIV) relativos a 2016. Estes são números que estarão sendo discutidos, entre muitos outros assuntos, no MUST – Fermenting Ideas, seminário que será realizado entre os próximos dias 7 e 9 de junho em Cascais, Portugal, com a presença de importantes nomes da vitivinicultura mundial.

Os Estados Unidos estão na frente em número de garrafas esvaziadas, com 31,8 milhões de hectolitros (1 hl: 100 litros), seguidos pela França (27), Itália (22,5), Alemanha (19,5) e China (17,3). Com seus 836 habitantes, o Vaticano lidera o ranking de consumo, com 54,26 litros por pessoa/ano. Essa conta é do California Wine Institute, supondo que isso se deve ao alto número de missas realizadas por lá. Mas a ingestão de vinho na Santa Sé já foi bem maior, de 78,8 litros em 2009, sugerindo menos missas ou maior austeridade do papa Francisco.

Excetuando-se essa curiosidade, a escolha do local de realização do seminário parece celebrar o fato de que, ainda segundo a OIV, Portugal está liderando o consumo per capita entre os maiores países, com 54 litros por pessoa/ano, seguido pela França (51,8 litros) e Itália (41,5). O Brasil continua estacionado nos 2 litros, embora se considere que o consumo nas regiões Sul e Sudeste chegue aos 8 litros. Na América do Sul, a Argentina do papa lidera, com 31,6 litros por pessoa/ano, em sexto lugar no ranking mundial.

Se você estiver na terrinha querida ou for lá nessa época, ainda dá para fazer inscrição para a maratona de debates e palestras no Centro de Congressos do Estoril, abordando a produção, consumo, enoturismo, o crescimento das vendas online, variedades de uvas, cursos, influência atual da Ásia etc, ao preço de 720 euros por pessoa para os três dias. MUST – Fermenting Ideas