Feira de vinhos no Ibira. Pra provar antes de gastar (menos)

taças
Em pleno inverno, uma boa oportunidade para mergulhar no mundo dos vinhos da melhor forma: experimentando antes de comprar. De 6 a 9 de julho no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, em Sampa, será realizada mais uma edição do Wine Weekend, com mais de 60 expositores nacionais e estrangeiros, desde os tradicionais  como França, Portugal, Chile, Argentina, África do Sul e Brasil, até outros de menor presença por aqui, como Grécia e Eslovênia. Homenagem especial à Itália, com vários produtores presentes, palestras e gastronomia do restaurante Aguzzo.

Oito empresas produtoras e importadoras de azeites também estarão presentes, promovendo degustação e anunciando venda a preços menores que os do mercado. Haverá um sebo com obras sobre vinhos, com livros nacionais e importados a partir de R$5,00. Como curiosidade, quadros feitos com rolhas pelo apresentador de TV Gugu Liberato. E shows com a banda B4JAZZ.

Em 2016, mais de 20 mil pessoas visitaram o evento e gastaram em média R$210,00 na compra de garrafas, com preço médio de R$80,00. Vale pesquisar nos estandes, muitos com preços bem competitivos.

Horários: de quinta a sábado das 12:00 às 22:00; domingo das 12 às 20:00

Local : Pavilhão da Bienal- Parque Ibirapuera – Piso entrada Praça das Bandeiras

Ingressos: R$75,00 na bilheteria com direito a entrada, visitação aos espaços culturais e uma taça de degustação Iso personalizada. Menores, apenas acompanhados de seus responsáveis legais.

Desconto de 15% para pessoas acima de 60 anos. Ingresso antecipado com desconto no site www.ingressorapido.com.br

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O vinho fica mais gostoso se sabemos de onde vem? Olha a resposta

A (2)

Um jeans com uma etiqueta de grife famosa parece mais bonito do que um rigorosamente igual sem aquela marca? Com o vinho isso pode acontecer, segundo pesquisadores australianos. Eles fizeram o seguinte: serviram três brancos, em duas sessões de degustação para 126 pessoas – importante notar que todas gostavam e bebiam vinho regularmente. Na primeira degustação, às cegas, foram servidos um riesling, um chardonnay e um sauvignon blanc, pedindo-se que fizessem anotações sobre eles.

Na segunda degustação uma semana após e com os mesmos vinhos (sem que as pessoas soubessem disso), os pesquisadores fizeram uma pequena descrição de cada um e forneceram detalhes sobre a vinícola produtora. Resultado: os participantes gostaram mais dos vinhos dessa segunda degustação e se disseram dispostos a pagar mais 21% pelo sauvignon blanc, 29% a mais pelo riesling e 37% pelo chardonnay. E, no entanto, eram os mesmos vinhos da primeira degustação.

Conclusão, segundo os pesquisadores: a descrição e informações básicas sobre o vinho bebido “aumentaram consideravelmente a apreciação, a vontade de pagar mais por ele e suscitaram mais emoções positivas intensas e menos emoções negativas intensas em comparação com a degustação às cegas”. E você, concorda?

Fonte

“I like the sound of that!” Wine descriptions influence consumers’ expectations, liking, emotions and willingness to pay for Australian white wines. Lukas Dannera, Trent E. Johnsona, Renata Ristica, Herbert L. Meiselmanc, Susan E.P. Bastian. School of Agriculture, Food and Wine, Waite Research Institute, The University of Adelaide.

Tendência: vinhos naturais e mais baratos. É o desejo dos millennials

Cabernet Sauvignon (2)

O vinho, atualmente mais consumido pela geração nascida desde os anos de 1940, vem sendo descoberto pela geração millennials (pessoas nascidas a partir da década de 1980 e início dos anos 2000) de uma maneira diferente. Uma parte significativa desse grupo quer vinhos menos industrializados, produzidos de maneira mais autêntica, sem o uso de pesticidas nas plantações e produtos químicos na elaboração. Esse é um dos resultados dos debates ocorridos no Must Fermenting Ideas, seminário dedicado ao mundo dos vinhos realizado agora em junho no Centro de Congressos do Estoril, em Portugal.

A inglesa Lulie Halstead, CEO da Wine Intelligence, voltada para a estratégia dos negócios do vinho, disse que essa geração pode não ter o mesmo dinheiro ou prosperidade financeira dos que vieram antes dela, e isso, somado a uma maior consciência acerca dos problemas ambientais do planeta, leva a uma escolha crescente de vinhos naturais, orgânicos e biodinâmicos. A questão do preço depende da escala de produção, o que ainda é um problema em muitos países, mas Halstead tem certeza de que as novas gerações não querem comprar rótulos caros e marquetizados.

Uma das palestras mais interessantes foi a da jornalista americana Alice Feiring, justamente sobre os vinhos naturais. O que seriam? Para ela, autora de livros a respeito, são aqueles procedentes de agricultura orgânica e feitos do mesmo jeito usado pelos vinhateiros antigos, sem acrescentar ou retirar nada em sua elaboração.

Ainda um nicho no mercado, esses vinhos, também chamados de “autênticos”, apresentam um charme capaz de atrair cada vez mais os millennials. O que coloca um desafio à grande indústria, que nem sempre tem condições de abraçar a agricultura orgânica, mas pode limitar as correções químicas em seus laboratórios.

Afanar garfos e objetos caros em restaurantes. Mais comum do que se pensa

Roubos em restaurantes

Li recentes artigos sobre roubos em restaurantes e quase não acreditei. Isto é, eu cri (adorei esse pretérito perfeito, nunca havia usado) ao lembrar as queixas do dono de um antigo (e maravilhoso) restaurante tailandês em São Paulo, o Govinda, na rua Princesa Isabel, que trouxe de Londres os talheres de prata cuidadosamente garimpados em feiras e leilões. Não duraram muito, a cada dia sumiam em bolsas e casacos de gente que, óbvio, podia pagar as altas contas do restaurante.

Em tempos de roubos de bilhões de reais dos nossos impostos, pode ser um consolo (esquisito, claro) saber que os pequenos delitos (que antecedem os maiores?) ocorrem em outros países com maior peso histórico e civilizatório. Em maio passado, a revista francesa Paris Match, citando o SNI, um sindicato de restaurantes independentes, indicou que 9 entre 10 estabelecimentos do país se queixam de roubos de saleiros e pimenteiros (41%), objetos de decoração (35%), pães, manteiga e petiscos do couvert (33%), taças (23%) e cardápios (15%). Pão e manteiga no bolso ou na bolsa pro lanchinho da tarde? Deve ser isso.

Em Nova York, os donos do badalado restaurante japonês Megu descobriram que pratos de cerâmica feitos em Hiroshima e pintados à mão desapareciam dia após dia. Foram nada menos de 60 deles. Valor de cada unidade? 500 dólares.

A palavra cleptomania foi cunhada em 1816 pelo médico suíço André Matthey, vinda do grego klepto (eu roubo, eu escondo) e mania (distúrbio mental). Cleptomaníaco, portanto, é aquele que sente prazer em roubar e cleptocracias indicam governos regidos por ladrões.

Santo vinho! Onde se bebe mais no mundo, Portugal ou Vaticano?

Vinhos Portugal

São 25 bilhões de litros de vinho produzidos por ano no mundo, algo como 150 bilhões de taças entornadas por nós, viventes, segundo dados da Organisation International de la Vigne et du Vin (OIV) relativos a 2016. Estes são números que estarão sendo discutidos, entre muitos outros assuntos, no MUST – Fermenting Ideas, seminário que será realizado entre os próximos dias 7 e 9 de junho em Cascais, Portugal, com a presença de importantes nomes da vitivinicultura mundial.

Os Estados Unidos estão na frente em número de garrafas esvaziadas, com 31,8 milhões de hectolitros (1 hl: 100 litros), seguidos pela França (27), Itália (22,5), Alemanha (19,5) e China (17,3). Com seus 836 habitantes, o Vaticano lidera o ranking de consumo, com 54,26 litros por pessoa/ano. Essa conta é do California Wine Institute, supondo que isso se deve ao alto número de missas realizadas por lá. Mas a ingestão de vinho na Santa Sé já foi bem maior, de 78,8 litros em 2009, sugerindo menos missas ou maior austeridade do papa Francisco.

Excetuando-se essa curiosidade, a escolha do local de realização do seminário parece celebrar o fato de que, ainda segundo a OIV, Portugal está liderando o consumo per capita entre os maiores países, com 54 litros por pessoa/ano, seguido pela França (51,8 litros) e Itália (41,5). O Brasil continua estacionado nos 2 litros, embora se considere que o consumo nas regiões Sul e Sudeste chegue aos 8 litros. Na América do Sul, a Argentina do papa lidera, com 31,6 litros por pessoa/ano, em sexto lugar no ranking mundial.

Se você estiver na terrinha querida ou for lá nessa época, ainda dá para fazer inscrição para a maratona de debates e palestras no Centro de Congressos do Estoril, abordando a produção, consumo, enoturismo, o crescimento das vendas online, variedades de uvas, cursos, influência atual da Ásia etc, ao preço de 720 euros por pessoa para os três dias. MUST – Fermenting Ideas

O contrato foi assinado num guardanapo. Está valendo há 25 anos

Catena vinhedo Adrianna

Esse é o começo de um negócio, em tese igual a qualquer outro, mas que o tempo revelou ser também um exemplo de correção e honestidade mútua. Estou falando da relação entre a importadora de vinhos Mistral e a vinícola argentina Catena Zapata.

Para celebrar essa espécie de bodas de prata, Ciro Lilla, o dono da Mistral, realizou uma bonita festa no Jockey Club de São Paulo, com a presença de Nicolás Catena e sua esposa Elena. Foi uma oportunidade especial para degustar alguns exemplares dessa vinícola, que chegou ao nível das melhores do mundo nas últimas décadas. Começando com dois de seus Chardonnay, o Angelica Zapata e o Catena Alta, ambos densos de aroma e sabor típicos da variedade, procedentes do excepcional vinhedo Adrianna, a 1.480m de altitude sob a vista gloriosa dos Andes (foto).

O Catena Alta Cabernet Sauvignon 2001, depois de 15 anos na adega da vinícola, estava vigoroso e ao mesmo tempo elegante; em seguida, o Catena Alta Malbec 1995, da reserva pessoal da família Catena, impressionou com seu frutado consistente e gosto que só os grandes vinhos revelam e, depois, o Nicolás Catena Zapata 2001 também atestou o grau de qualidade raro dessa bodega de Mendoza, com longa intensidade. O simpático Catena Sémillon Doux 2012 encerrou a noite, um vinho de sobremesa com equilibrada doçura.Catena

Por falar em simpatia, essa é uma característica de Nicolás Catena, de 76 anos, responsável por dar à Malbec o selo de qualidade garantida com seus vinhos fora do comum. Sua parceria com Ciro Lilla, da Mistral, começou com um acerto verbal à mesa de um restaurante em Mendoza e o contrato foi assinado em um guardanapo. Que vale até hoje, 25 anos depois – um bom exemplo de seriedade para empresários (e políticos) de ambos países.

As 50 marcas de vinho mais admiradas do mundo. Tem surpresas

50

A aguardada classificação The World’s Most Admired Wine Brands 2017, publicada pela revista inglesa Drinks International, indica as 50 marcas de vinho mais admiradas do mundo na pesquisa deste ano. A vinícola Torres, da Espanha, está em primeiro e a nossa conhecida Concha y Toro chilena em segundo, superando grandes marcas francesas e italianas. Impressiona a boa presença de Austrália e Nova Zelândia na lista.

A classificação é obtida a partir de pesquisa junto a profissionais do vinho, entre eles Masters of Wine, sommeliers, professores de enologia, jornalistas e compradores profissionais da bebida. Não há restrição quanto a estilo ou tipo, com os critérios abrangendo o crescimento da qualidade, a essência do terroir, a capacidade de atender à expectativa e gosto dos consumidores, as práticas de mercado (marketing e packaging) e, óbvio, o poder de atração dessas marcas no mundo.

Eis o ranking:

1 Torres – Espanha

2 Concha y Toro – Chile

3 Penfolds – Austrália

4 Villa Maria – Nova Zelândia

5 Viña Errazuriz – Chile

6 Guigal – França

7 Ridge – EUA

8 Michel Chapoutier – França

9 Château Margaux – França

10 Porto Graham’s – Portugal

11 Tío Pepe – Espanha

12 Vega Sicilia – Espanha

13 Felton Road – Nova Zelândia

14 Pétrus – França

15 Sassicaia – Itália

16 Yalumba – Austrália

17 Campo Viejo – Espanha

18 Château Musar – Líbano

19 Louis Latour – França

20 Robert Mondavi – EUA

21 Château Haut-Brion – França

22 Château d’Yquem – França

23 Codorníu – Espanha

24 Cloudy Bay – Nova Zelândia

25 Jacob’s Creek – Austrália

26 Royal Tokaji – Hungria

27 Georges Duboeuf – França

28 Faustino – Espanha

29 Tignanello – Itália

30 Marqués de Cáceres – Espanha

31 Porto Taylor’s – Portugal

32 Santa Rita – Chile

33 Château Latour – França

34 Beringer – EUA

35 Château Cheval Blanc – França

36 Nederburg – África do Sul

37 Mcguigan – Austrália

38 Porto Sandeman – Portugal

39 Freixenet – Espanha

40 Château Lafite Rothschild  – França

41 Château Mouton Rothschild – França

42 Brancott Estate – Nova Zelândia

43 Wolf Blass – Austrália

44 Trapiche – Argentina

45 Yellowtail – Austrália

46 Oyster Bay – Nova Zelândia

47 Cavit – Itália

48 Porto Dow – Portugal

49 Hardys – Austrália

50 Foncalieu – França