Surpresa alentejana: vinhos espanhóis

A mais recente novidade da Adega Alentejana, famosa por trazer uma gama variada de vinhos portugueses – não só do Alentejo –, é a inclusão de rótulos espanhóis em seu portfolio. Eles são das bodegas Villacreces, de Ribera del Duero; Izadi, da Rioja e Vetus, de Rueda, todas do mesmo grupo. Vinhos representativos dessas regiões emblemáticas da Espanha e que se situam em uma faixa média de preços.

Entre eles o Pruno 2014, um tinto da Villacreces com 14% de álcool, elaborado com 90% de Tempranillo e o restante de Cabernet Sauvignon. Tem bom frutado, com alguma madeira, taninos maduros equilibrados com a acidez e boa persistência. Segundo a importadora, a safra 2013 foi eleita por Robert Parker em seu “Guide to the Best of 2015” o vinho com o melhor custo/benefício do mundo. E antes, a safra 2010 havia sido considerada pelo americano o melhor vinho espanhol por menos de 20 dólares. Esta safra 2014 do Pruno custa aqui R$209,00.

Outro é o Izadi Crianza 2013, tinto 100% Tempranillo, com 14% de teor alcoólico. Lembra frutas vermelhas ao nariz e, na boca, tem corpo médio confirmando a sugestão frutada. Custa R$180,00. Entre os brancos, o Flor de Vetus 2015 é elaborado inteiramente com a uva Verdejo e tem 13% de álcool. Interessante, bem aromático, com ervas frescas e pegada cítrica ligeira. Preço: R$143,00

História de uma transformação – Fui o primeiro jornalista a escrever sobre o surgimento da Adega Alentejana em 1998, na Gula, época em que essa revista era uma espécie de antena avançada da enogastronomia no país. Era. Mas o que quero contar aqui é sobre a transformação da importadora nesses 18 anos. Manuel Chicau, seu dono, assumiu o compromisso de trazer vinhos e produtos de sua região natal, um começo difícil que o impediu de largar o emprego em uma empresa de engenharia de São Paulo por um bom tempo, até que a Adega pudesse caminhar sozinha.

Acompanhei esse início e, ao voltar de uma viagem a Portugal, disse a Manuel que havia bebido um belo vinho lá, dando a dica para que o importasse. Ao ouvir o nome do vinho, ele balançou a cabeça e falou: “Não, ele tem Cabernet Sauvignon, não é autenticamente alentejano”. Fiquei admirado com o compromisso de Manuel em preservar a origem dos produtos de sua terra, era bonito isso, mas pouco viável diante da concorrência abrangente que iria ocorrer nos anos seguintes, com o surgimento de centenas de importadoras disputando o mercado garrafa a garrafa.

Alguém já disse que “o sonho é a metade de uma realidade”. Pois Manuel duplicou seu sonho, incluiu outros vinhos e produtos de Portugal em seu portfolio e agora mira a Espanha, Chile e, imagino, outros países, transformando a pequena empresa inicial em uma gigante do setor. Diante desse crescimento e ao lembrar a usual categoria de classes indicando quem está no topo, temos agora a Importadora AA. Bravo, Manuel!

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