32 estrelas acompanhando a aura de Joël Robuchon, o chef.

Joel Robuchon

Quando escrevia para a revista VIP, da Editora Abril, recebi a “missão” de ir à França e Suíça comer em três restaurantes e entrevistar os seus nomeados “cozinheiros do século 20” pelo Guia GaultMillau: o suíço Freddy Girardet e os franceses Paul Bocuse e Joël Robuchon. O primeiro se aposentou em 1997, depois de uma carreira brilhante em Crissier; o célebre Bocuse morreu em janeiro deste ano e o mais novo deles, Robuchon, morreu hoje (6/8) aos 73 anos. Indiscutivelmente sua culinária foi a que mais me impressionou, não só pelo rigor técnico de seus pratos, com apresentação impecável, mas também pelo talento inacreditável ao fazer de um simples purê de batatas algo etéreo, inesquecível.

Ele me recebeu, em abril de 1994, após o almoço no seu então restaurante na Avenue Raymond Poincaré, no elegante 16º arrondissement de Paris. Conversamos por um bom tempo, respondeu minhas perguntas com ampla simpatia, me mostrou toda a cozinha e autografou o livro onde sua jovem carreira, aos 40 anos de idade, já era descrita como a de um chef fora de série reconhecido em vários países. Sua geleia de caviar com creme de couve-flor e seu ravoli de lagostins deixaram lembranças sublimes. Com uma aura que o distinguia dos outros chefs, Robuchon deixa a Terra acompanhado por nada menos de 32 estrelas conferidas a ele pelo guia Michelin em seus vários restaurantes. Adieu, monsieur Compagnon du Devoir.

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