Vinhos heróicos. Já ouviu falar deles?

Vinhedos na Quinta Santa Barbara, Douro

Este é um concurso de vinhos diferente: Mundial dos Vinhos Extremos 2018. A premiação será realizada no próximo dia 23 de setembro no Palazzo Madama de Turim, Itália, e o concurso se anuncia como “a única manifestação enológica mundial especificamente dedicada ao vinho produzido em zona caracterizada como viticultura heróica”. Isto é, vinhedos em lugares de difícil acesso, como montanhas, em áreas pequenas e com uvas típicas do lugar, preferivelmente com cultivo orgânico.

Foram julgados no mês de julho em Aosta, norte italiano, 722 vinhos europeus e de outros países como Armênia, Georgia, Cazaquistão, Líbano, Turquia, Cabo Verde, Eslováquia e Chile, país que ganhou uma das raras cinco medalhas Grande Ouro. Além destas, 127 vinhos foram premiados com Ouro e 92 com Prata, representando 30% das garrafas inscritas. Era necessário o mínimo de 85 pontos sobre 100 para um vinho ser premiado e havia várias categorias, mas apenas em três delas brilharam os maiores vencedores.

OS PREMIADOS COM GRANDE OURO

Vinhos brancos de 2016 ou anos precedentes:

Aigle Chablais Lettres De Noblesses Viognier Elevé En Amphores 2016, da Badoux Vins em Aigle, Cantão de Vaud, Suíça.

Vinho tinto de 2015 ou anos precedentes:

RHU de Alcohuaz 2013, da Viñedos de Alcohuaz, Paihuano, Valle de Elqui, Chile.

Goriska Brda Merlot Bagueri 2013, da Klet Brda, Dobrovo, Eslovênia.

Vinho doce com resíduo de açúcar superior a 45,1 gramas por litro:

Passito di Pantelleria DOC Shamira 2012, da Azienda Agricola Basile, ilha de Pantelleria, Sicília, Itália

Costa Toscana IGT “Nantropo” 2017, da Azienda Agricola Fontuccia em Grosseto, Toscana, Itália.

Puglia, Itália 2012

Opinião – Os concursos de vinhos realizados mundo afora são uma excelente fonte de renda para seus organizadores. Alguns cobram 500 dólares para cada garrafa inscrita e, às vezes, são milhares delas em julgamento. Os jurados passam o dia experimentando (e obviamente cuspindo) dezenas de vinhos, como aconteceu comigo em um concurso no sul da Itália há alguns anos, com baterias diárias de 84 doses de vinhos diferentes durante três dias (foto). Confesso que é muito difícil determinar objetivamente quais os melhores (ou piores) depois da 50ª dose… mas acho que esse concurso dos vinhos extremos é interessante ao revelar pequenos produtores e seus sonhos materializados em locais de cultivo improvável.

PS: no título, o corretor me revelou que a nova ortografia manda escrever heroicos sem acento, por ser uma palavra grave ou paroxítona.. Com som de heroícos? Sem heroísmo, que continua com acento, mantenho a outra.

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